TV ainda dita as regras nas eleições

Consultor político afirma que debates influenciaram corrida de candidatos ao Palácio Guanabara no 1º turno

No ano em que as redes sociais ganharam maior protagonismo nas eleições, os debates na televisão ainda são os principais influenciadores dos eleitores. Essa é a opinião do consultor político e analista de opinião pública Henrique Serra, pós-graduado em Comunicação, Pesquisa de Opinião Pública e Mercado, pela Uerj, e em Organização, Mídia e Comunicação em Campanhas Políticas, pelo Iuperj. Segundo ele, as pesquisas de intenção de voto para candidatos ao governo do Rio de Janeiro espelharam bem essa situação. “O debate na TV é o lugar do confronto. É o show para todos os públicos. A performance nesses debates vai definir se o eleitor tem orgulho ou vergonha do candidato que escolheu ou mesmo se muda o voto. Cada vez mais, os candidatos montam estratégias para sua participação nesses programas”, observou Serra.

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Romário Faria (Foto: Agência Estado; José Peres/JB; Beto Herrera/JB)

1 - Romário larga na frente

Romário (Podemos) sai na frente. “Ele ainda é um personagem pouco maculado pelo estigma que acompanha os políticos. Muitos ainda têm nele apenas a referência ao jogador de futebol. Mas já disputou duas eleições e venceu. Os problemas atribuídos a ele são vistos como de cunho particular”, avalia Serra.

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Eduardo Paes (Foto: Agência Estado; José Peres/JB; Beto Herrera/JB)

2 - Paes cresce e aparece

Paes se aproxima de Romário a partir de setembro. “Paes agiu de forma estratégica. Estava fora do país quando estourou a bomba que culminou com a prisão do ex-governador Sérgio Cabral. Saiu do PMDB e conseguiu a liminar que o permitiu disputar a eleição. Com tudo isso, demorou para anunciar sua candidatura e saiu atrás”.

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Anthony Garotinho (Foto: Agência Estado; José Peres/JB; Beto Herrera/JB)

3 - Garotinho encosta

A má performance de Romário na TV (o primeiro debate foi o do SBT, em 16/8) favoreceu Garotinho (PRP): “Tentaram transformar Romário no que ele não é. Perdeu a espontaneidade, e o nervosismo era denunciado pela boca sempre seca. Garotinho fala bem em rádio e TV, mostra espontaneidade e se firma em terceiro lugar”.

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Índio da Costa (Foto: Agência Estado; José Peres/JB; Beto Herrera/JB)

4 - Indio pega carona

TSE rejeita registro de Garotinho em 27/9, candidato perde debate na Record em 28/9 e abre espaço para Indio (PSD). “Ele [Indio] associa sua imagem a Bolsonaro e disputa o voto da direita com Witzel (PSC). Como Índio se sai melhor, se beneficia do crescimento do candidato à presidência do PSL”.

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Witzel (Foto: Agência Estado; José Peres/JB; Beto Herrera/JB)

5 - Witzel sobe

No debate da Globo, em 2/10, Witzel “enquadra” Índio, segue em campanha com apoio de Flávio Bolsonaro e acaba se aproximando de Romário. Paes tem seu nome citado em delação de propina, mas mantém liderança.



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