Jornal do Brasil

Rio - Eleições 2018

Debate para o governo do Rio tem troca de acusações entre os que disputam o 2º lugar

Indio, Romário e Witzel protagonizaram os principais ataques. Paes e Tiburi também trocaram farpas numa noite repleta de direitos de resposta

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Candidatos ao governo do Rio participaram, na noite de terça-feira (2), do último debate antes do primeiro turno das eleições. Promovido pela Rede Globo, o encontro contou com as participações de (em ordem alfabética) Eduardo Paes (DEM), Indio da Costa (PSD), Marcia Tiburi (PT), Pedro Fernandes (PDT), Romário (Podemos), Tarcísio Motta (PSOL) e Wilson Witzel (PSC). Anthony Garotinho teve sua candidatura barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral e não participou. A noite foi marcada pela troca de acusações de corrupção entre Romário, Witzel e Indio, que também centrou fogo contra Eduardo Paes. Tiburi também foi atacada por sua defesa ao ex-presidente Lula. A quantidade de acusações provocou uma série de direitos de resposta ao longo do debate. Por outro lado, Paes e Pedro Fernandes fizeram, por vários momentos, uma dobradinha alinhada nas perguntas e respostas.

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Candidatos ao governo do Rio participam de debate na Globo (Foto: José Peres)

Primeiro bloco

Com tema livre, cada candidato escolheu para quem iria dirigir a pergunta. Pedro Fernandes perguntou para Eduardo Paes sobre os gastos com os postos de vistoria do Detran. Paes concordou que os postos devem acabar e defendeu menos burocracia na fiscalização.

Tarcisio Motta escolheu Romário, a quem perguntou sobre o fato de o seu vice, Marcelo Delaroli (PR), apoiar o candidato a presidente pelo PSL Jair Bolsonaro. "Sua candidatura defende a tortura?"

"Sou a favor da democracia. Meu vice apoia Bolsonaro. Mas se ele entende que Bolsonaro é o melhor, não sou eu quem posso falar em quem ele deve votar. Eu defendo a democracia. Como governador, vou governar com qualquer presidente", respondeu Romário.

Paes perguntou a Pedro Fernandes sobre medidas para diminuir índices de violência no Rio. O candidato do PDT defendeu a reposição no efetivo policial e melhores condições de trabalho. Ele também lembrou que a segurança do Rio ainda não descobriu quem matou a vereadora do Psol Marielle Franco. Paes por sua vez reforçou que vai atacar a violência nas ruas com mais policiamento, e investir na inteligência.

Wilson Witzel dirigiu a pergunta sobre corrupção a Indio da Costa. "Como você pretende investir em inteligência se você é investigado?" Indio o chamou de mentiroso e enumerou medidas tomadas por ele contra a corrupção. "Você está desesperado porque eu estou subindo nas pesquisas", disse. Witzel reforçou que há delações que envolvem o nome de Indio da Costa. "O mentiroso aqui é você."

Marcia Tiburi perguntou a Witzel sobre suas medidas para a saúde das mulheres. O candidato destacou que investirá em maternidades e criticou a má gestão do governo atual.

Romário perguntou a Marcia sobre projetos para pessoas com deficiência. A candidata do PT lembrou que, por sua filha ser surda, essa era uma questão especialmente importante para ela. Tiburi lembrou que é fundamental inclusive melhorar o transporte para essas pessoas, e criticou o fato do candidato do Podemos priorizar cortes nos investimentos. 

Indio perguntou a Tarcisio sobre medidas para a segurança pública. O candidato do Psol criticou o excesso de mortes nos confrontos e a "lógica do terror", defendendo o investimento na inteligência. Por sua vez, Indio aproveitou para atacar os governos do PT e do MDB, afirmando que todos esqueceram da polícia. "Vou resolver os problemas que existem dentro das polícias." Tarcisio lembrou que Indio foi secretário do prefeito Marcelo Crivella e do ex-governador Sérgio Cabral. "Você posa de oportunista. Isso o Psol não faz. Nós enfrentamos a milícia."

Segundo do bloco

No segundo bloco, temas foram sorteados para que candidatos dirigissem suas perguntas. Indio perguntou sobre educação a Eduardo Paes. "Você quebrou a Previdência da Prefeitura e deixou uma grande dívida. Como vai cuidar da saúde?"

Paes rebateu as afirmações e afirmou que a Prefeitura em seu governo deixou as contas em situação "excepcional". Indio reforçou que Paes estava mentindo e lembrou que ele é candidato com uma liminar, enumerando acusações que pesam sobre ele. "Vai passar o governo inteiro usando a máquina pública para se defender?" "Eu entendo seu desespero", rebateu Paes, lembrando que Indio já havia sido chamado de mentiroso no debate.

Tarcisio perguntou sobre saneamento para Romário. "Quais suas propostas para resolver o problema?" Romário lembrou de sua infância, quando conviveu com esgoto a céu aberto. "A Cedae será uma peça importante. Também faremos parcerias com a iniciativa privada." O candidato do Psol, por sua vez, lembrou que também teve uma infância pobre, e reforçou a importância das obras de Guandu 2.

Pedro Fernandes perguntou a Tarcísio sobre as propostas para o meio ambiente. O candidato do Psol voltou a falar da importância da Cedae e criticou o projeto de sua privatização. Por sua vez, o candidato do PDT defendeu a educação ambiental nas escolas.

Marcia Tiburi dirigiu a pergunta sobre medidas para a recuperação fiscal a Indio da Costa. O candidato do PSD defendeu decisões técnicas e não políticas, e disse que pedirá mais dez anos para sanar as dívidas. A candidata do PT lembrou da importância da relação com o governo federal e questionou o apoio de Indio ao candidato Jair Bolsonaro. O candidato do PSD criticou o PT e lembrou da delação do ex-ministro Antonio Palocci. Tiburi defendeu o ex-presidente Lula e destacou que seu partido era "o mais querido do país".

Paes perguntou sobre combate à corrupção à candidata do PT. Tiburi lembrou da "farra dos guardanapos", lamentou a ausência do ex-governador Anthony Garotinho no debate, citando que Paes estava naquele grupo que protagonizou a festa no restaurante de luxo em Paris.

"Essa sua saudade do Garotinho mostra que a senhora gosta mesmo é de um presidiário", rebateu Paes, numa alusão ao ex-presidente Lula. Tiburi reagiu. "O senhor está sendo grosseiro. Lembre-se que pode acontecer alguma coisa triste com o senhor. Além disso, há muitos presos que estão na cadeia injustamente."

Witzel perguntou sobre as medidas na área de segurança a Pedro Fernandes. "O candidato do PDT defendeu o planejamento e a inteligência. "Não é com tiro, porrada e bomba que vamos resolver o problema." Já Witzel defendeu medidas mais enérgicas. "No meu governo, bandido com fuzil vai ser abatido."

Romário, no final do bloco, perguntou a Witzel sobre desemprego. O candidato do PSC defendeu a dinamização da construção civil, "paralisada por causa da corrupção". Romário lembrou ainda do Comperj e de Angra 3.

Terceiro bloco

No terceiro bloco, candidatos voltaram a escolher a quem dirigir as perguntas, que eram de tema livre. Tiburi perguntou sobre violência contra mulheres a Eduardo Paes. O ex-prefeito enumerou medidas e reforçou que será um tema que terá prioridade. A candidata do PT lembrou então do deputado Pedro Paulo, acusado de violência contra a mulher e que foi o candidato apoiado por Paes na eleição para prefeito do Rio em 2016. O candidato do DEM defendeu Pedro Paulo, rebateu as acusações  e lamentou que ele não tenha sido eleito.

Tarcísio Motta questionou Eduardo Paes sobre acusações a respeito de recebimento de dinheiro no exterior. "Que conta é essa no exterior? O que você deu em troca para a Odebrecht? Todo mundo sabe que você é o 'nervosinho' da lista da Odebrecht". Paes afirmou que defende a Lava Jato, disse que competia ao delator comprovar as acusações, negando que tivesse contas no exterior. O ex-prefeito afirmou ainda que Tarcísio estava o atacando porque estaria mal nas pesquisas. "Eu era denominado de 'nervosinho' justamente por ser exigente e não dar muito espaço a diálogo."

Paes perguntou a Pedro Fernandes sobre saúde. O candidato do PDT defendeu a gestão, enquanto Paes enumerou suas medidas na passagem pela Prefeitura.

Indio dirigiu a pergunta sobre segurança a Romário. "Como o senhor vai colocar um policial em cada esquina?" O candidato do Podemos rebateu afirmando que iria diminuir as UPPs para melhor distribuir o policiamento. Por sua vez, Indio defendeu o uso de câmeras e investimento em tecnologia.

Romário questionou Indio sobre investimento no esporte, lembrando de seu passado como jogador. O candidato do PSD defendeu a apoio à prática esportiva como forma de afastar os jovens da criminalidade e criticou indicados por Romário - entre eles seu irmão, Ronaldo - para secretaria de Espotes que, na visão dele, não apresentaram projetos.

Witzel perguntou a Tarcisio sobre medidas para a habitação. O candidato do Psol criticou políticas de remoção e a falta de prevenção para tragédias ambientais. Tarcisio ainda defendeu a ocupação de imóveis vazios do estado pela população sem moradia.

Quarto bloco

Os temas voltaram a ser sorteados para as perguntas. Paes dirigiu a sua a Pedro Fernandes, questionando sobre as parcerias com as prefeituras. Fernandes defendeu que os repasses aos municípios devem voltar a ser realizados em dia. Repetindo a dobradinha, Fernandes perguntou a Paes sobre os presídios. Paes admitiu o déficit de vagas e defendeu uma distribuição dos presos com mais critérios.

Tiburi perguntou a Paes sobre sua política contra o tráfico e a milícia. Mais uma vez, o ex-prefeito defendeu o uso da inteligência no combate à criminalidade. A candidata do PT por sua vez defendeu uma política "cidadã", criticou a intervenção militar no Rio e lembrou que, no passado, Paes era chamado de "Dudu da Milícia".

Antes de dirigir sua pergunta sobre trabalho informal a Romário, Indio da Costa afirmou que uma reportagem de 2006 falava da ligação de Eduardo Paes e a milícia. "Você que está em casa, dê um Google e veja a reportagem". Segundo Indio, Paes citaria as milícias como uma saída para aumentar a segurança. Romário voltou a falar que Indio parecia nervoso e criticou seus ataques durante o debate.

Witzel criticou os "grupinhos" formados durante o debate e os "presidiários de estimação" dos candidatos. Ao se dirigir a Romário, fez novos ataques ao presidente do partido do seu vice, Valdemar da Costa Neto, que "usa tornozeleira". Romário por sua vez afirmou que Witzel era despreparado para ser candidato. "Precisamos de homens, e não de frouxos."

Witzel, que é ex-juiz, pediu direito de resposta após a fala de Romário, reclamou de falta de respeito do candidato e da plateia, que ria, e enumerou sua trajetória no Judiciário. "Seu governo vai ser deprimente, Romário."

Romário também teve de direito de resposta concedido após acusações de Indio da Costa. "O meu dinheiro veio do futebol e é declarado. Diferente do seu." Romário perguntou sobre moradia a Marcia Tiburi. A candidata aproveitou para alfinetar Witzel, afirmando que "tem gente que além de frouxo é fofoqueiro", e lembrou que o governo do PT foi o que mais fez moradias. No quinto bloco, os candidatos fizeram suas considerações finais.



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