Sem Garotinho, Romário e Paes viram alvo no debate dos candidatos ao governo do Rio na TV Record

Com a ausência de Anthony Garotinho (PRP), que teve o registro de sua candidatura rejeitado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Romário (Podemos) e Paes (DEM) viraram alvo e trocaram farpas no terceiro debate entre candidatos ao governo do Rio de Janeiro, realizado nesta sexta-feira (28) nos estúdios da TV Record Rio, no Rio de Janeiro (RJ).

Também estavam presentes Pedro Fernandes (PDT), Indio da Costa (PSD), Tarcísio Motta (PSOL), Marcia Tiburi (PT) e Wilson Witzel (PSC).

Primeiro bloco

No primeiro bloco do debate, os candidatos puderam perguntar entre si sobre diversos assuntos. O clima de provocações entre Romário e Paes começou logo no primeiro embate, quando o ex-jogador lembrou da liminar contra Paes e afirmou que decisão judicial é "para ser cumprida". Ele disse ainda que, entre os candidatos, só Eduardo Paes é ficha suja e corre o risco de "não estar presente" na disputa pelo governo.

Paes rebateu o candidato do Podemos e disse que ele não vai levar esse jogo "no W.O." e quem tem problemas na justiça é Romário, que está endividado. O duelo entre Tarcísio Motta, do PSOL, e Indio da Costa, do PSD, também chamou atenção. 

O final do bloco "esquentou" quando Romário chamou Wilson Witzel de "frouxo" por ter saído do Espírito Santo e se mudado para o Rio de Janeiro. O ex-juiz explicou que nunca fugiu das responsabilidades e que ele e sua família sofreram ameaças de morte. Ainda disse que Romário nunca viveu essa realidade. Atacado por Paes, Indio e Witzel, o ex-jogador de futebol e senador desabafou: "Hoje sou o xodó da festa. Hoje todo mundo quer me atacar." 

Segundo bloco

Já no segundo bloco, temas foram sorteados para os candidatos, que tiveram de se ater a estes em seus questionamentos aos adversários. Tarcísio Motta voltou a afirmar que Eduardo Paes é o candidato do ex-governador Sérgio Cabral: "Paes é Cabral e Cabral é Paes. Ele é o sujo falando do mal lavado". Paes disse que Tarcísio foi deselegante e lembrou de sua trajetória de oito anos à frente da Prefeitura do Rio de Janeiro. Ele negou ser o candidato do ex-governador. 

A troca de alfinetadas continuou entre Paes e Romário. Ao questionar o senador, o ex-prefeito brincou: "Tô aqui, tô no jogo". Paes perguntou ao ex-jogador sobre o salário dos servidores e aproveitou para frisar que  Romário não entende de economia. Em sua resposta, o candidato do Podemos rebateu as ironias e pediu que Paes anotasse: "Vou pagar em dia os servidores do Estado do Rio de Janeiro. Eu quero me comprometer que todo quinto útil do mês os servidores vão receber em dia", disse ele, numa resposta curta. Paes não perdeu a oportunidade e voltou a criticar Romário. "Sobrou tempo porque Romário não tem respostas sobre o tema e ele só sabe alfinetar", afirmou. Romário rebateu com ironia: "Duduzinho, agora vem querer dar uma de grande gestor, olha o teu histórico".

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Debate da TV Record (Foto: Reprodução)

Wilson Witzel criticou o comportamento de Romário e disse que governar o Rio é para gente séria e não é para piadinha. O ex-jogador respondeu que para participar de um debate é preciso estar preparado para "ouvir e falar" e quem não está preparado deve ficar em casa. Witzel rebateu Romário afirmando que, fora dos campos, ele é um "péssimo exemplo". 

Pedro Fernandes, do PDT, criticou o embate entre os demais candidatos e defendeu que os candidatos deveriam estar discutindo suas propostas. "O Rio passa pela maior crise da sua historia e é de extrema importância discutir soluções para o estado. É lamentável focar nas baboseiras para saber quem é mais ladrão". Ele ainda disse que pretende investir no Turismo, mas afirmou que é preciso integrar este campo com a área da Segurança. 

Terceiro bloco

No terceiro bloco, o esquema candidato pergunta para candidato voltou. A troca de farpas entre Romário e Paes seguiu em destaque. Romário respondeu a Paes que um de seus principais programas na área da Segurança Pública, caso eleito, será o policiamento ostensivo e a a ampliação da segurança presente para mais bairros na capital fluminense, na Baixada e no interior.

Paes alfinetou Romário agradecendo a educação na pergunta e respondeu que vai utilizar a inteligência no combate à criminalidade e violência. "Com muito orgulho eu trouxe na minha gestão o Centro presente e pretendo ampliar o policiamento ostensivo". Romário continuou criticando Paes e associando a imagem do ex-prefeito ao atual governador Pezão e ao ex-governador Sérgio Cabral.

Quarto bloco

Neste bloco, os candidatos tiveram a oportunidade de deixar o seu recado para os eleitores. 

Romário, do Podemos, lembrou de sua origem humilde e de sua trajetória de sucesso na carreira de jogador de futebol. "Eu usei a saúde, transporte, escola pública, conheço o Rio de Janeiro de leste a oeste, não só  em campanha. No meu governo, saúde, segurança e emprego serão prioridades". 

Indio da Costa afirmou que o debate é importante para ver a diferença entre as propostas de cada candidato. Ele aproveitou e deu um recado ao juiz Witzel, que havia o chamado de oportunista. "Eu votarei no Bolsonaro por convicção. A mudança no Brasil também precisa ser feita no Rio", disse. E completou: "sou família, contra ideologia de gênero e da escola sem partido".

Eduardo Paes lamentou que nem sempre o debate está voltado apenas as questões relacionadas aos problemas do Estado. "Tenho andado pelo Rio e vemos desesperança. Tenho nos meus programas e encontros que faço chamar atenção para o governo que eu fiz na prefeitura do Rio, durante os 8 anos em que estive à frente e trabalhei com muito orgulho e paixão. E que nesse período acertamos muito mais que eventuais erros. Na prefeitura do Rio mostramos o que e possível de ser realizado e que o estado precisa. devolver a confiança."

Tarcísio Motta lembrou que muitos dos candidatos ao governo do Rio participaram do governo de Sérgio Cabral. "Você viu aqui muito candidato tentado esconder, esconder que subiram no palanque da máfia do Cabral". O Psolista lembrou do movimento deste sábado (29) #EleNão contra Bolsonaro que será realizado no Rio e nas principais cidades do País. 

Pedro Fernandes afirmou que o Rio de Janeiro tem alternativas para sair da crise e tem propostas para melhorar a gestão do Estado. "Sou candidato pela minha indignação de ver as pessoas nas filas de hospital,  sendo assaltas e ver que o governo diz que não tem dinheiro e usa recursos para pagar  jatinho, chefe de cozinha. Tô aqui para acabar com farra do dinheiro mau gasto". Ele completou: "O problema do Rio é falta de gestão e prioridades para mudar realidade". 

A candidata do PT, Marcia Tiburi afirmou que o cidadão  pode mudar a história do Estado votando em mulher e lembrou: "Aqui tem candidato do Cabral, Temer e tem  mais do mesmo e os políticos que estão aqui, estão acostumados a não fazer nada. Essa é a hora de você mudar não escolha o mais do mesmo e candidatos."

Witzel defendeu que o eleitor precisa de uma reavaliação no pleito de 7 de outubro deste ano. "Você precisa fazer uma reavaliação. O Rio de Janeiro precisa de gente decente e honesta."