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Vereador de São Gonçalo é morto a tiros na porta de casa

Linhas de investigação sugerem que Aldcecyr Maldonado (PL), que tem posse de arma, teria reagido a um assalto próximo de sua residência

Vereador Cici Maldonado
Foto: Reprodução

O vereador Aldcecyr Maldonado (PL), da Câmara Municipal de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, foi morto a tiros no fim da noite desta terça-feira (7), na porta de sua casa. Conhecido no mundo político como Cici Maldonado, o político tinha 61 anos e estava em seu primeiro mandato. Ele também atuava como presidente da Comissão de Obras da Câmara.

A Prefeitura de São Gonçalo, comandada pelo correligionário Capitão Nelson (PL), afirma que Cici foi baleado ao reagir a um assalto. Segundo a prévia de ocorrência da Polícia Militar, dois assessores de Cici tinham acabado de deixar o vereador em casa, na Rua Antenor Martins, no Porto da Madama, quando testemunharam um roubo a uma moto.

Ainda de acordo com o registro da PM, os auxiliares, assustados, largaram o automóvel e buscaram refúgio em uma residência. Cici ouviu gritos e foi até o portão da casa, com uma arma em punho, para ver o que estava acontecendo. Os assaltantes viram Cici armado e passaram a atirar. O vereador revidou e, no tiroteio, acabou atingido na cabeça. Cici chegou a ser socorrido e encaminhado para o Pronto-socorro de São Gonçalo, mas não resistiu.

Outra linha de investigação

A Polícia Civil do RJ ainda investiga a motivação do crime. O local era monitorado por pelo menos cinco câmeras, que podem ter registrado o episódio. A PM reforçou o patrulhamento.

Além do suposto assalto, os agentes também apuram uma desavença entre o vereador e um pré-candidato a uma das vagas na Câmara Municipal de São Gonçalo ligado a comunidades do Paraíso e Patronato, redutos eleitorais de Cici. Os dois teriam se desentendido recentemente em meio a disputa do eleitorado da região.

Políticos de São Gonçalo ouvidos pela reportagem do g1 dizem que a casa do vereador fica na entrada de uma comunidade e acham pouco provável um assalto no local.

Execução de políticos

Levantamento realizado em outubro mapeou homicídios com indícios de atuação de milicianos, traficantes, contraventores do jogo do bicho ou grupos de extermínio, e chegou ao número de 43 políticos assassinados em 20 anos. Estes casos têm suspeita de participação do crime organizado.

São homicídios, em geral, com execuções brutais, com emboscadas, homens encapuzados e múltiplos disparos. Na média, é como se uma pessoa ligada a atividades políticas fosse morta a cada seis meses.

Entre as 43 execuções, há casos marcantes, como a morte de Marielle Franco, ligados ao crime organizado.

Indiciado pela CPI das Milícias, concluída na Assembleia Legislativa do Rio em 2008, Josinaldo Francisco da Cruz, o Nadinho de Rio das Pedras, foi executado um ano depois por três homens encapuzados que invadiram o condomínio em que ele morava, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste. Em 2004, impulsionado pelo amplo apoio na comunidade que lhe rendeu o apelido - um dos principais berços da milícia no estado -, ele havia sido o nono vereador mais votado da capital.

Uma execução recente no estado foi a do ex-vereador do Rio Jair Barbosa Tavares, o Zico Bacana, mais um citado na CPI das Milícias. Após sobreviver a um ataque anterior, ele e o irmão foram assassinados em agosto, em Guadalupe, na Zona Norte. A família culpou traficantes, mas a Polícia Civil ainda apura o caso. Uma das linhas de investigação aponta para uma rixa entre quadrilhas rivais.

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