RIO
Menina de 12 anos é abusada pelo padrasto, com conivência da mãe, desde os 10
Por Gabriel Mansur
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Publicado em 26/06/2023 às 19:22
Alterado em 26/06/2023 às 19:22
19ª DP fica na Tijuca Reprodução
Uma menina de 12 anos denunciou à Polícia Civil do Rio de Janeiro que foi vítima de abusos sexuais cometidos pelo próprio padrasto. De acordo com a criança, os estupros começaram em fevereiro de 2022, quando ela tinha 19 anos. As investigações apontam que a mãe sabia dos crimes e foi conivente. Os dois suspeitos foram presos.
O caso veio à tona depois que a mãe procurou a 19ª DP, na Tijuca, na quinta-feira (22), para relatar que o marido teria tocado as partes íntimas da menina no dia 19 de junho. No entanto, o padrasto também esteve na delegacia, acompanhando mãe e filha, o que gerou suspeitas.
"O clima era muito calmo para quem estava relatando um crime daquela natureza. A mãe não parecia revoltada ou chocada", conta a delegada Fernanda Caterine, que está à frente do caso.
A delegada, então, acionou o Conselho Tutelar, que informou ter recebido denúncia recente contra o casal por supostos abuso Fernanda e uma conselheira ouviram a menina, que acabou revelando que o padrasto já abusava dela desde fevereiro de 2022, e que a mãe sabia e que já tinha presenciado um dos abusos. A mulher também confirmou a situação e foi presa em flagrante por falso testemunho.
A equipe da 19ª DP realizou um trabalho de inteligência e monitoramento e prendeu o casal nesta segunda-feira (26), na comunidade do Borel, na Tijuca, Zona Sul da capital. Contra a dupla, foram cumpridos mandados de prisão preventiva.
Medo do tráfico
Durante a oitiva, a menina contou ainda que a situação de supostos abusos teria chegado ao conhecimento do tráfico do Morro do Borel, também na Tijuca, onde a família mora, e que criminosos teriam expulsado o homem de lá. Por isso mãe e padrasto procuraram a delegacia para tentar se resguardar.
O padrasto teria aparecido para acompanhar mãe e filha na delegacia, e ameaçar a criança, para que ela não contasse nada diferente do que havia sido combinado.
"Ele ameaçou a criança de morte, que ' ela ia ver só', e chegou a dizer que mataria a mãe", conta a delegada, que usou o crime de ameaça, cometido naquele dia, para também prender o homem em flagrante.
A partir de novas investigações e depoimentos, a delegada pediu a prisão preventiva do casal pelos crime iniciais e pelo abuso sexual, e a mesma foi concedida no sábado (24), pela juíza Mariana Tavares Shu.
O padrasto responderá ainda por ameaça, na forma da Lei Henry Borel, que prevê punição específica para ameaça a criança e adolescente. A menina foi entregue aos cuidados da avó paterna, que também acompanhou o seu depoimento.