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Degradação do Parque Ary Barroso

Jornal do Brasil EVERTON GOMES *, redacao@jb.com.br

Vizinho do Hospital Getúlio Vargas, o Parque Ary Barroso, na Penha, subúrbio da Leopoldina, é um dos mais antigos da Cidade do Rio de Janeiro. Criado na década de 60, foi tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional quando ainda ostentava uma exuberante queda d’água e uma flora nativa. Entre as mais belas, de todas as áreas verdes cariocas.

O espaço sofre, há muito tempo, um progressivo processo de degradação. É um verdadeiro crime contra os cariocas, principalmente os leopoldinenses, que dispõem de poucas áreas para o lazer.

Não bastasse o avanço da violência no bairro da Penha – que não encontra do Estado o devido controle – os moradores da região acompanham o sofrimento do Parque. Com a ação nociva de invasões consentidas em suas áreas pelo próprio ente público que deveria olhar por ele, a Prefeitura.

Existe uma ação junto ao Ministério Público que denuncia a omissão. A administração municipal permitiu a instalação de uma UPP, uma Clínica da Família e uma arena de cultura nas áreas internas do Parque.

Obviamente, ninguém é contra serviços públicos de saúde, cultura e segurança. Porém, existem áreas mais apropriadas para a instalação destes equipamento urbanos – inclusive nos arredores – sem causar prejuízos a uma população que poderia dispor desse belo espaço.

Os amantes da ecologia sabem que, na natureza, as plantas somente sobrevivem quando em simbiose com a fauna. E que, para ambas, a água é fundamental (como para nós, humanos). No Parque Ary Barroso, essa seiva da vida não existe. Nem para regar as árvores. Assim como, falta gestão para orientar ações de limpeza e conservação.

A UPP – que foi ali construída em contêineres – pegou fogo, há algum tempo.

Seus destroços se espalham junto a um grande estacionamento a céu aberto, que destrói quase todo o local.

E o pior – se é que existe pior nesse verdadeiro caos urbano – é que os moradores vizinhos reclamam que policiais trocam de roupa em meio aos carros e manuseiam seus armamentos, o que acrescenta mais um item negativo: a insegurança.

Esse espaço foi criado em 13 de dezembro de 1964, com a finalidade de proporcionar lazer à famílias, principalmente às crianças, em uma época em que todo o entorno era constituído por casas. Com a proliferação de prédios de apartamentos, a necessidade de uma área verde se tornou, como em qualquer parte do mundo contemporâneo, vital para a população (catalogada na Prefeitura como contribuinte).

Uma das grandes críticas dos usuários do Parque é que o portão principal, na Avenida Lobo Júnior – que foi reaberto por mim quando dirigi a Fundação Parques e Jardins – voltou a ser fechado. O que impede o acesso das famílias. E é feito , somente, por uma entrada lateral, em frente a uma barraca construída ilegalmente pela própria Polícia Militar.

Em meio a uma grave crise climática, parques são fundamentais para a qualidade de vida. São ilhas de natureza e tranquilidade em meio ao caos urbano. Precisamos tomar consciência e exigir ações imediatas do Prefeito para devolver esta área verde – tão preciosa para a Cidade –, antes que seja tarde demais.

* Advogado, integrante do Coletivo Rio Boa Praça. Foi presidente da Fundação Parques e Jardins (na gestão de Eduardo Paes).