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Centenas de pessoas protestam no Rio contra censura a espetáculos

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Um ato no centro do Rio de Janeiro reúne nesta sexta-feira (11) centenas de manifestantes contra o cancelamento de espetáculos por instituições culturais públicas.

Os organizadores criticam medidas tomadas pelo CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) e Caixa Cultural, que classificam como censura. Os bancos estatais negam que tenham praticado cerceamento.

Os manifestantes começaram a se concentrar perto da Pira Olímpica por volta das 16h. Num palco montado no local, a banda da peça "Caranguejo Overdrive" toca as músicas do espetáculo.

Também foi lido um manifesto assinado por companhias de teatro que participam das comemorações dos 30 anos do CCBB-Rio, evento do qual a peça faria parte.

"Nosso objetivo é chamar a atenção da sociedade para a importância da pluralidade. Até o momento, não recebemos nenhuma justificativa do CCBB para esse cancelamento", afirmou o dramaturgo Pedro Kosovski, autor da peça.

A atriz Alice Maria, 23, que atua no teatro amador, aderiu ao protesto, temendo o avanço da censura contra a cultura no país. Ela pintou o corpo para realizar uma performance no local, simbolizando uma exposição proibida. 

"Usam o termo filtro, mas o que há é censura. O Estado é laico e temos que respeitar as diferentes manifestações culturais", afirmou a artista.

A cantora Zélia Duncan, que aderiu ao protesto, disse que o cancelamento ataca conquistas. "Eu estou aqui como artista, cidadã, mulher e gay. É uma vergonha estarmos passando por isso. Estão atacando coisas que já foram conquistadas.  Mas a arte é muito maior que esse governo."

Já a artista plástica Helenice Dornelles foi para o ato com estandartes confeccionados por ela para protestar contra o que considera ataques à liberdade de expressão. Ela reproduziu foto histórica de atrizes contra a censura no centro do Rio em 1968. Nela estavam Norma Bengell, Tônia Carrero, Leila Diniz e Eva Wilma.

"As pessoas precisam ir para as ruas para evitar que as coisas piorem. Não podemos ficar apáticos", afirmou a artista.

Em nota, o CCBB negou ter praticado censura e justificou a retirada da peça por ter incluído manifestação política, contrariando o edital.

A Caixa informou, também por meio de nota, que não alterou sua política de patrocínios culturais e informou que a peça "Abrazo", da companhia Clows de Shakespear, foi suspensa no Recife por violação de cláusulas contratuais.(Michel Alecrim/FolhaPress SNG)