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O Plano de Estruturação Urbana de São Conrado

Jornal do Brasil EDUARDO MENEZES CÔRTES *, redacao@jb.com.br

São Conrado não é bairro de passagem. É bairro singular, único no Rio de Janeiro, por situar-se entre o mar e a montanha (Mata Atlântica). Os que aqui residem, conhecedores das belezas da região, mantêm suas raízes através de gerações.

Devemos nos orientar, de modo intransigente, pela defesa do meio ambiente, pela preservação das áreas verdes, em ordem a impedir que, sob uma pressuposta “ameaça de invasão de terrenos”, se modifique o PEU para autorizar edificações residenciais/comerciais.

Devemos perseverar no combate sistemático (i) à proliferação de construções irregulares na Rocinha/Vidigal, causa direta das enchentes em São Conrado e interrupções da Av. Niemeyer; (ii) pela recuperação da praia, quase sempre imprópria pela ineficácia do sistema de esgoto (interceptor); (iii) contra a ocupação de áreas públicas com comércio ambulante.

A ideia das autoridades (aparentemente aplaudida por alguns proprietários de terrenos vazios e de residências) – permitir edificação multifamiliar em áreas verdes e em ruas internas precisa ser combatida com veemência. Além da agressão ambiental, do adensamento habitacional injustificável a todas as luzes, estar-se-ia, em última análise, a placitar a calamitosa expansão das construções na Rocinha/Vidigal.

Despropositada é também a cogitada autorização para expansão vertical do Fashion Mall. O esvaziamento lamentável do shopping não resulta da concorrência (Village Mall e Shopping Leblon). Há outras razões determinantes: sua administração; o permanente engarrafamento na região durante o prolongado período que antecedeu a inauguração do metrô; o fechamento dos hotéis Nacional e Intercontinental; as constantes interrupções do trânsito na Av. Niemeyer.

A solução passa pela reabertura dos hotéis, pela melhoria do trânsito e segurança, e sobretudo, pelo realinhamento da administração do Fashion Mall, jamais pelo incremento da sua área edificandi. Tenha-se em conta que recentes prédios comerciais situados no lado par da Estrada da Gávea, estão só parcialmente ocupados.

Em síntese., as cidades devem manter intangidos bairros/áreas por suas peculiaridades e especificidades – São Conrado, Urca, Cosme Velho, Leblon (Jardim Pernambuco), Jardim Botânico (alto), Alto da Boa Vista, Santa Tereza, são exemplos típicos.

Vale lembrar. George Pompidou, presidente francês na década de 60/70, interessado em deixar marcada sua passagem no poder, pretendeu eliminar as limitações urbanísticas estabelecidas pelo Barão Haussman. Dizia inexistir arquitetura moderna sem torres! Prevaleceu o bom senso, o espírito preservacionista do povo francês. As edificações harmônicas, compostas por loja, mezanino, quatro andares e sótão, com altura máxima de 37 metros, seguem a dominar a paisagem para deleite de todos os que visitam Paris. O sonho de Pompidou ficou circunscrito às torres erguidas em La Défense, fora do eixo central da cidade.

Esse é meu ponto de vista. Pretendo por ele lutar no limite de minhas forças.

*Advogado, morador de São Conrado desde 1986