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Campanha "Julho Verde" alerta para a prevenção ao câncer de cabeça e pescoço

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A campanha ‘Julho Verde’ e o Dia Mundial do Câncer de Cabeça e Pescoço, que acontece no dia 27 de julho, alertam para a prevenção dos tumores nas regiões da cabeça e do pescoço e têm como objetivo disseminar informações sobre prevenção e a importância da detecção precoce da doença. 

O câncer de cabeça e pescoço engloba os tumores que atingem a cavidade nasal, os seios da face, a boca, a laringe e a faringe. A maioria das neoplasias de cabeça e pescoço se inicia nas células escamosas que revestem as superfícies úmidas da região, por exemplo, dentro da boca, do nariz e da garganta. Os tumores de cabeça e pescoço também podem começar nas glândulas salivares, que contêm diferentes tipos de células que podem tornar-se cancerosas.

No Brasil, estimam-se 11.200 casos novos de câncer da cavidade oral em homens e 3.500 em mulheres para 2019. Esses valores correspondem a um risco estimado de 10,86 casos novos a cada 100 mil homens, ocupando a quinta posição; e de 3,28 para cada 100 mil mulheres, sendo o 12º mais frequente entre todos os cânceres.

Os principais fatores de risco associados ao câncer de cabeça e pescoço são o tabagismo e o álcool. Outros fatores importantes são a infecção pelo vírus HPV - esse vírus é a principal causa do câncer de colo de útero, mas também está ligado ao desenvolvimento de tumores de canal anal, pênis, orofaringe, vagina e vulva, infecções do vírus de Epstein-Bar (EBV), consumo de bebidas e comidas muito quentes e a exposição excessiva ao sol. A doença costuma ser mais frequente em pacientes com idades entre 50 e 60 anos.

“Os sintomas típicos dos tumores de cabeça e pescoço incluem o aparecimento de nódulos, feridas que não cicatrizam, dor de garganta que não melhora, dificuldade para engolir e alteração ou rouquidão na voz”, explica o Dr. Bruno França, oncologista e diretor médico do CON - Oncologia, Hematologia e Centro de Infusão. “Entretanto, estes sintomas também podem ser causados por outras condições clínicas. Por isso, ao identificar estes sinais, é importante procurar o seu médico”, alerta o especialista. 

Quando diagnosticados precocemente, os tumores de cabeça e pescoço têm grandes chances de cura. O diagnóstico pode ser feito por meio de avaliação clínica, além de exames de imagem e biópsia.

O tratamento vai depender da localização, extensão do tumor e de suas características moleculares. “O resultado do tratamento está diretamente relacionado a uma abordagem multidisciplinar, onde estarão envolvidos o cirurgião de cabeça e pescoço, o oncologista clínico, o radio-oncologista, o enfermeiro, o nutricionista, o psicólogo, o fonoaudiólogo, o fisioterapeuta, o estomatologista e outros”, explica o Dr. Bruno.

A intervenção terapêutica é classificada como multi modal, uma vez que envolve combinações entre cirurgia, quimioterapia, radioterapia e terapia alvo. A imunoterapia, recentemente, ganhou espaço e tem sua aplicação no contexto da doença metastática.