Rio

Causa ainda é mistério

Estudante que espancou a paisagista Elaine Caparroz foi indiciado ontem por tentativa de homicídio no inquérito da 16ª DP (Barra)

Reprodução de video
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Após o depoimento prestado ontem na 16ª DB (Barra da Tijuca), a delegada titular, Adriana Belém, afirmou que o espancamento e a tentativa de feminicídio da paisagista Elaine Caparroz, de 55 anos, foram premeditadas. O inquérito policial relativo à prisão em flagrante do agressor, Vinícius Serra, foi dado ontem como encerrado e ele foi indiciado por tentativa de homicídio. A delegada acredita que a motivação do agressor foi vingança. "Ele [o agressor] solicitou a amizade dela no Instagram quando o filho, que mora fora do país, postou uma foto com a mãe, que ganhou muitos seguidores. Esse contato começou em julho", disse Adriana Belém."Eu acho que uma pessoa como ele não pode conviver em sociedade", acrescentou.

Antes de depor, Elaine lembrou ao jornal o Globo de um diálogo ocorrido entre os dois: "Em algum momento ele falou pra mim: 'Ah, eu gostaria da sua opinião'. Eu falei: 'Sobre o quê?'. Ele falou assim: 'Eu tenho um amigo que quer muito se vingar de alguém e ele pensa em matar essa pessoa. Nossa, meu amigo tá muito bravo! Ele quer realmente matar. O que você acha disso?'. Eu falei: 'Nossa, que conversa mais louca"", lembra Elaine.

Macaque in the trees
Vinicio Batista (Foto: Reprodução)

Para ela, uma agressão como aquela não poderia ter ocorrido de forma gratuita. "Não sei por que, mas eu achei muito estranho. Qual motivo de uma pessoa fazer isso gratuitamente? Eu não faço mal para ninguém. Deve ter havido algum motivo. Eu achei essas perguntas dele estranhas, por que ele ia perguntar isso? E por que ele fez isso comigo? Tem que ser investigado porque eu acho que é uma agressividade gratuita, ele quase me matou, eu quase morri", afirmou.

Conforme relato da paisagista, depois de se encontrarem no apartamento dela, ambos começaram a beber vinho. Em pouco tempo ela começou a se sentir alterada e a perder os sentidos. Quando acordou, de madrugada, já estava sendo espancada. Ela diz ter certeza de que o agressor botou algo em seu vinho para dopá-la. E como o estudante disse seu nome errado ao porteiro, tudo leva a crer que o crime foi premeditado.

"O porteiro ligou e falou que Felipe havia chegado. Respondi que não esperava por nenhum Felipe. Depois ele disse que era Vinícius Felipe. Não sabia que ele tinha um nome composto. Pedi para o porteiro perguntar se era o Vinícius Serra. Aí ele confirmou", recordou.

Inicialmente Vinícius agia normalmente e respondeu sua preferência por um filme de terror, ao ser questionado se gostaria de assistir a um filme. Daí em diante, Eliane começou a perder os sentidos

" A última coisa que eu lembro foi eu deitando no ombro dele e depois disso, eu já estava no chão com ele em cima de mim desferindo vários socos horríveis no meu rosto, me agredindo muito, muito. Eu não entendi nada", disse ao Globo.

Elaine diz que, além dos socos e mordidas, Vinícius também tentou estrangulá-la. A ação teria sido impedida porque ela conseguiu puxar os cabelos dele. "Essa foi uma defesa que acho que evitou minha morte", especulou. Ela lembrou ainda que se alguém arrombasse a porta, ela não teria passado pelo que passou. "Então é importante que alguém, ao ouvir por socorro, preste o socorro", alertou, abatida, com os ferimentos ainda bem visíveis após o depoimento.

 



Elaine Caparroz depõe na 16ª DP para a delegada
Vinicio Batista