Rio

Mudança de rumo no Caso Marielle

Polícia Federal cumpre oito mandados de busca e apreensão para apurar se agentes do estado estariam prejudicando, de fato, as investigações

Policiais federais cumpriram, ontem, oito mandados de busca e apreensão para apurar supostas tentativas visando prejudicar as investigações dos homicídios da vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, ocorridos em 14 de março de 2018. Segundo a Polícia Federal (PF), a apuração é sigilosa e os mandados foram autorizados pela Justiça. Informações do jornal "O Globo" dão conta, porém, que um dos mandados de busca e apreensão teve como endereço a casa do deputado Domingos Brazão.

Os mandados foram autorizados pelo juiz do 4° tribunal do Júri, Gustavo Kalil, que autorizou o compartilhamento do inquérito que apura o crime para a PF.

A Polícia Federal começou sua apuração em novembro do ano passado, depois de receber denúncias de que agentes do estado estariam agindo para prejudicar as investigações do caso, a cargo da Delegacia de Homicídios da capital, da Polícia Civil. De acordo com a PF, os agentes federais não estão apurando a autoria ou motivação dos assassinatos, já que isso é responsabilidade da Polícia Civil. A PF informou que não vai se manifestar sobre sua investigação até que seja concluída.

Macaque in the trees
Movimentação de viaturas na Superintendência da Polícia Federal, na Região Portuária do Rio. Agentes da PF estão nas ruas, na manhã desta quinta-feira 21, para cumprir oito mandados de busca e apreensão do caso Marielle Franco. (Foto: Paulo Carneiro/AE)

Segundo jornal "O Globo", porém, a investigação da força-tarefa da Polícia Federal vai de encontro à tese de que o miliciano Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando de Curicica, e o vereador Marcello Siciliano (PHS) seriam, respectivamente, o autor e o mandante da execução.

A Polícia Federal entrou no caso em outubro do ano passado, após denúncia de Curicica à Procuradora-Geral da República, Rachel Dodge, de que estaria sendo pressionado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DH) a assumir a autoria do crime.

De acordo com a reportagem do jornal, os bastidores da investigação teriam revelado um suposto esquema de pagamento de mesadas a policiais da DH para a não elucidação de casos envolvendo a contravenção. Dessa forma, os investigadores federais estariam buscando indícios de que Curicica e Siciliano não teriam, de fato, participação no duplo homicídio.

Um dos alvos da operação de ontem, o conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Domingos Brazão (MDB), se queixou da atuação dos agentes do Comando de Operações Táticas (COT) da Polícia Federal durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão em sua casa, num condomínio de luxo na Barra da Tijuca.

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Acima, movimentação de viaturas na Superintendência da Polícia Federal, na Região Portuária do Rio: agentes da PF foram às ruas, na manhã de ontem, para cumprir oito mandados de busca e apreensão do caso Marielle Franco. Um deles foi na casa de Domingos Brazão (ao lado), conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ) (Foto: Divulgação/Blog do Brazão)

"Entraram na minha casa, às 6h15m, com uniformes camuflados, armados de metralhadoras, além de usar escudos e capacetes. Antes disso, arrombaram minha porta e quase atiraram no meu cachorro. Eu tenho foro por prerrogativa de função, por ser conselheiro. A ordem judicial foi expedida por um juiz de primeiro grau do estado, quando o mandado deveria ter sido assinado por um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ)", reclamou o conselheiro afastado, segundo "O Globo".

A Polícia Federal também cumpriu mandados de busca e apreensão nas residências do policial militar Rodrigo Ferreira considerado testemunha-chave do caso pela Delegacia de Homicídios da Capital (DH) , a advogada de Ferreira, Camila Moreira Lima Nogueira; o delegado da Polícia Federal Hélio Khristian; e o ex-policial civil Jorge Luiz Fernandes. (Com Agência Brasil)



Movimentação de viaturas na Superintendência da Polícia Federal, na Região Portuária do Rio. Agentes da PF estão nas ruas, na manhã desta quinta-feira 21, para cumprir oito mandados de busca e apreensão do caso Marielle Franco.
Acima, movimentação de viaturas na Superintendência da Polícia Federal, na Região Portuária do Rio: agentes da PF foram às ruas, na manhã de ontem, para cumprir oito mandados de busca e apreensão do caso Marielle Franco. Um deles foi na casa de Domingos Brazão (ao lado), conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ)