Rio

Régis Fichtner volta a ser preso pela Lava Jato

Há suspeita de que ex-secretário de Cabral oculte bens e destrua provas

Severino Silva/AE
Credit...Severino Silva/AE

A Polícia Federal prendeu, ontem, Régis Fichtner, ex-secretário da Casa Civil do Rio, no governo Sérgio Cabral. Ele é alvo de uma nova etapa da Operação Lava Jato. A investigação também mirou o coronel da Polícia Militar Fernando França Martins, tido como a "pessoa da mala" do ex-secretário. A funcionária da Casa Civil Ana Lúcia Vieira foi intimada a prestar informações. A PF também cumpriu mandado de busca e apreensão nos endereços dos investigados.

O ex-secretário havia sido preso em novembro de 2017 na operação "C'est Fini", mas foi solto por decisão do desembargador Paulo Espírito Santo, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), uma semana após a prisão. Na ocasião, o Ministério Público Federal afirmou que Régis Fichtner tinha amplo poder na hierarquia da organização criminosa liderada por Cabral. O ex-secretário foi acusado de ter recebido R$ 1,56 milhão em vantagens indevidas e usado seu cargo como chefe da Casa Civil para favorecer empresas de outros integrantes da organização. Fichtner foi suplente de Sergio Cabral no Senado de 2002 a 2007. No mesmo ano, ele assumiu a secretaria da Casa Civil de Cabral, onde ficou até 2014 e recebeu mais de R$ 1,5 milhão em propina.

O Ministério Público Federal aponta fatos novos para a prisão de Régis Fichtner. Os procuradores identificaram "o homem da mala" de Fichtner, o coronel Fernando França Martins, suspeito de ser o responsável por recolher parte da propina recebida pelo ex-secretário. A Procuradoria afirma que há "farta demonstração" de que Fernando Martins era pessoa de confiança de Fichtner e responsável por recolher parte da propina recebida pelo então secretário da Casa Civil do Rio.

O coronel foi descrito por um dos colaboradores como "uma espécie de segurança" de Fichtner. A proximidade era tanta, que a agenda telefônica do ex-secretário continha informações do CPF e RG do coronel. Em informações bancárias, entre 2014 e 2016, houve transferência na ordem de R$ 725 mil do ex-secretário ao coronel.

Justificativa

Dentre os fatos que justificam essas prisões, segundo a Lava Jato, é que ainda existe patrimônio ocultado por Fichtner, além de indícios de sua atuação na destruição de provas. "A manutenção de Régis Fichtner solto permitiria a dilapidação patrimonial, lavagem e ocultação de bens fruto de práticas criminosas", argumentam os procuradores da República integrantes da força-tarefa da operação no Rio de Janeiro.

Como chefe da Casa Civil, "era o responsável por articular os atos de governo mais importantes, usando de sua habilidade jurídica para buscar saídas minimamente defensáveis (aos olhos daqueles que desconheciam os atos de corrupção e a verdadeira motivação do ato) para justificar, por exemplo, alterações contratuais, editais de licitação, benefícios fiscais ou mesmo a contratação de obras", detalham os procuradores.

Ele tinha relacionamento bastante próximo a Cabral, ocupando cargo estratégico na administração estadual, a partir do qual pode ter efetuado diversas manobras em favor dos demais membros da organização criminosa, bem como dos corruptores. (Estadão Conteúdo)

Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade.
Ao continuar navegando, você concorda com estas condições.
Saiba mais