Rio

Zumbi aglutina manifestações negras

Ativistas, grupos culturais e religiosos aclamaram a raça

Ativistas, grupos culturais e religiosos comemoram ontem o Dia da Consciência Negra com várias atividades em frente à estátua de Zumbi dos Palmares, no Centro, líder da resistência contra a escravidão, que comandou uma comunidade de escravos foragidos (quilombo), em Alagoas, no século XVII, e morreu em 20 de novembro de 1695.

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Em comemoração ao Dia da Consciência Negra, feriado municipal e estadual. grupos fazem homenagens junto ao Monumento a Zumbi dos Palmares, na região central da cidade. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

A manhã começou com apresentações de capoeira e do grupo Afoxé Filhos de Gandhi. “Depois de 130 anos da abolição [da escravidão] não concluída, quando os negros foram jogados à própria sorte, o Estado não se preparou para essa abolição. Construiu-se umapartheidsocial, quando a mão-de-obra escravizada foi substituída pela mão-de-obra dos europeus. Isso levou o negro direto da senzala para as favelas e para os presídios”, denunciou Cláudia Vitalino, da União de Negros e Negras pela Igualdade Racial e do Conselho Estadual de Direitos dos Negros.

Para Fátima Malaquias, do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Negro, já há avanços em relação à população negra, mas muito ainda precisa ser feito, principalmente em relação à violência e ao acesso à saúde. “Os nossos estão morrendo. Se você entrar em qualquer hospital, tem muita gente morrendo e a maioria é negra, mas o alerta principal é em relação à violência: há um genocídio cruel dos nossos jovens”, alertou Fátima.

Ainda de manhã houve um cortejo em homenagem a Tia Ciata, um dos ícones do samba carioca, que saiu da antiga casa da matriarca em direção à estátua de Zumbi. “Se Tia Ciata estivesse viva, ela certamente estaria defendendo o povo de matriz africana e também se colocaria contra o genocídio da população negra, a violência contra a mulher. Ela sempre teve essa atitude de abraçar [as lutas]”, disse Gleicy Mari Moreira, bisneta de Tia Ciata.

A grafiteira e ativista Panmela Castro produziu um mural de 500 m2,no Centro, para homenagear as mulheres negras. A inauguração do enorme grafite, na histórica Rua do Lavradio, aconteceu no fim da tarde de ontem. Para a artista, o mural é uma forma de homenagear essa parcela feminina da população, a mais excluída de todos os processos e a que mais morre. A imagem mostra duas mulheres negras ligadas pelo cabelo e faz parte da série de grafites “Irmãs Siamesas”, já pintada em cidades como São Paulo, Miami, Nova Iorque, Amsterdã e Berlim.

O mural inauguradoontemchama-se “Dororidade”, um jogo com a palavra sororidade, que significa solidariedade entre as mulheres. “Dororidade é um livro de Vilma Piedade, escritora negra que fala sobre esse conceito que é como uma sororidade, mas a partir da dor que se sofre com o machismo e o racismo”, disse. (Com Agência Brasil)