Rio

Cerveja tombada: Artesanais viram patrimônio

A cerveja artesanal carioca é, agora, Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Município do Rio de Janeiro. O reconhecimento da atividade foi publicado, ontem, no Diário Oficial do Município, a partir da aprovação da Lei 6.400/2018, de autoria dos vereadores Rafael Aloisio Freitas (MDB) e Carlo Caiado (DEM).

“O setor vem ganhando destaque. Nosso objetivo é registrar e intensificar uma atividade que gera emprego, rende tributos e é referência na cidade”, explicou Caiado sobre a iniciativa.

Segundo ele, a declaração de Patrimônio Imaterial vai ajudar a colocar a cerveja artesanal carioca “na mira” de políticas públicas. Pode ajudar, ainda, a fortalecer o movimento do setor para alterar parâmetros urbanísticos de zoneamento que, atualmente, impedem a implantação de cervejarias na cidade. O atual Código de Obras do Rio foi criado há 30 anos e sua revisão está em discussão na Câmara.

Macaque in the trees
Evento de cervejarias artesanais no Rio: estado é o 6º em número de fábricas (Foto: Divulgação)

Diretora técnica da Associação de Microcervejarias Artesanais do Rio de Janeiro (Amacerva RJ), Mariana Boynard, comemorou o título.

“É um primeiro degrau de uma escadaria que ainda temos que subir”, comparou ela, dona da cervejaria Esplêndido, em Pedra de Guaratiba, uma das quatro plantas em funcionamento na cidade.

O Rio é o sexto estado em número de cervejarias (57). Perde para o Rio Grande do Sul (142), São Paulo (124), Minas Gerais (87), Santa Catarina (78) e Paraná (67).

O atual zoneamento “enxerga” a produção de cerveja como indústria, associado a atividade de grande porte. Mariana explicou que, dependendo da marca, uma cervejaria não seria maior do que uma padaria. A dela ocupa 400 metros quadrados e produz 30 mil litros por mês. Ela lembrou que a mudança no zoneamento pode ajudar também na criação de brewpub — pequena fábrica acoplada a um bar, estabelecimento comum em várias cidades no mundo, sendo inclusive atração turística.