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Museu francês: incêndio do Museu Nacional é 'perda para a Humanidade'

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O incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro é uma "tragédia em matéria de patrimônio e uma perda para a Humanidade em geral", reagiu nesta segunda-feira o presidente do Museu Nacional de História Natural (MNHN) da França, Bruno David.

A instituição brasileira era "muito importante no panorama de museu e tinha cerca de vinte milhões de peças". "É gigantesco, representa mais de um quarto das coleções do MNHN", declarou David à AFP. A perda é "insubstituível", acrescentou ele.

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Fogo tomou conta rapidamente de todo o palácio que abrigava o Museu Nacional, destruindo completamente o acervo da instituição, criada há 200 anos por D. João VI (Foto: José Lucena/AE)

"Não é apenas uma perda para o Brasil, é uma perda para a Humanidade em geral", já que "parte desse patrimônio não estava arquivado em nenhum outro lugar", indicou.

Pode-se tentar reconstituir parcialmente algumas coleções, por exemplo, com novas coleções de insetos. Mas "isso não substituirá o valor histórico dos espécimes destruídos".

"O coleóptero coletado em 1850 era portador de informações de sua época, em termos de química, seu ambiente, o que havia comido. Tudo isso foi queimado. Nós nunca mais voltaremos a ter esse tipo de informação", destacou o cientista.

Inaugurado em 1818, o Museu Nacional do Rio, destruído no domingo pelas chamas, foi alvo de cortes orçamentários.

"Muitos museus enfrentam problemas orçamentários, até mesmo aqui" na França, disse David. "Os Estados atrasam as obras e dizem 'vamos esperar'. Felizmente, 95 de 100 casos não terminam em tragédia, em termos de desaparecimento de patrimônio. Mas desta vez o golpe foi muito forte."

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