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Museu Nacional pega fogo na Quinta da Boa Vista

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Um incêndio de proporções ainda incalculáveis atingiu, no começo da noite deste domingo (2), o Museu Nacional do Rio de Janeiro, na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, na zona Norte da capital fluminense. O prédio histórico de dois séculos foi residência da família real brasileira e tem um dos acervos mais importantes do país – são cerca de 20 milhões de peças.

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Imagem aérea de incêndio no Museu Nacional do Rio (Foto: Reprodução/ TV Globo)

O Corpo de Bombeiros do Rio foi acionado às 19h30. Homens de quatro quartéis trabalham no local, que fica dentro do parque nacional da Quinta da Boa Vista. O prédio tem três andares, é ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o fogo toma de conta de boa parte da construção.

Até agora, os bombeiros não dispõem de informações sobre vítimas. O museu estava fechado para visitação no momento em que o incêndio começou. Por segurança, há homens também da Polícia Militar e profissionais de saúde em ambulâncias.

Aparentemente o prédio foi totalmente consumido. Grandes labaredas atingiam os dois andares, e estrondos eram ouvidos de tempos em tempos. "Começou por volta das 19h30. Eu moro pertinho e, assim que soube, vim pra cá. É uma pena, acho que não vai sobrar nada", afirmou o advogado Marcos Antônio Pereira, de 39 anos, enquanto acompanhava o combate ao fogo. 

 

Entre os funcionários do museu, o clima era de desespero. "Queimou tudo, perdemos tudo", repetia uma mulher, aos prantos. Ela não quis se identificar.

História

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Museu Nacional (Foto: Roberto da Silva)

Mais antiga instituição histórica do país, o Museu Nacional do Rio foi fundado por D.João VI, em 1818. É vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com perfil acadêmico e científico. Tem nota elevada por reunir pesquisas raras, como esqueletos de animais pré-históricos e múmias.

O local foi sede da primeira Assembleia Constituinte Republicana de 1889 a 1891, antes de ser destinado ao uso de museu, em 1892. O edifício é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

No acervo, com cerca de 20 milhões de itens, há diversificação nas peças, pois reúne coleções de geologia, paleontologia, botânica, zoologia e arqueologia. Há, ainda, uma biblioteca com livros com obras raras.

O Museu Nacional do Rio oferece cursos de extensão e pós-graduação em várias áreas de conhecimento. Para esta semana, era esperado um debate sobre a independência do país. No próximo mês, estava previsto o IV Simpósio Brasileiro de Paleontoinvertebrados no local.

De acordo com Renato Franco, historiador especializado em Brasil Colonial, o Museu Nacional possuía um acervo que representa uma patrimônio não só para a história do Brasil, mas para a história do mundo. "Era um acerco etnográfico incrível, é difícil conseguir ter uma dimensão da grandeza desse acervo porque é riquíssimo da historia da botânico no Brasil, pra cultura etnográfica indígena e africana", disse.

"É impactante e chega a ser emocionante ver tudo sendo destruído rapidamente. Eu não sei exatamente como ressaltar a grandeza desse acervo e a enorme perda. É o fim de uma instituição sem tamanho, fim de um acervo insubstituível", lamentou Renato Franco.

Com Agência Estado



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