O ano foi movimentado na América Latina. A agenda internacional da região registrou diversos acontecimentos marcantes. No campo econômico, muitos países tentaram proteger suas economias dos efeitos da crise econômica que assola a Europa e os Estados Unidos, com iniciativas como as nacionalizações de empresas estrangeiras na Argentina. O pequeno Uruguai, sob o comando de José Pepe Mujica, chamou a atenção ao descriminalizar o aborto até 12 semanas de gestação e com as discussões sobre a legalização da maconha.
O bloco econômico e social da América do Sul, Mercosul, também teve mudanças. Com o golpe de estado no Paraguai, no qual Fernando Lugo foi deposto para dar lugar a Frederico Franco, o país foi suspenso do mercado livre. Enquanto isso, a Venezuela foi incorporada.
Nesta primeira parte da retrospectiva sobre a América Latina do Jornal do Brasil, serão abordados os principais acontecimentos de Argentina, Uruguai e Paraguai.
Argentina: expropriações e controle do Estado
Nossos vizinhos mais próximos protagonizaram eventos controversos na opinião pública. Em abril, o governo de Cristina Kirchner optou por expropriar a empresa YPF, subsidiária da Repsol no país. Com a medida, 51% das ações da companhia passaram para o Estado argentino. O governo espanhol rejeitou a atitude e a Repsol pediu uma indenização de US$ 10 bilhões. A justificativa do governo é de que a medida tornaria o país autossuficiente no setor estratégico de energia. Especialistas da área se dividiram sobre o assunto.
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Ainda na Argentina, o ano foi marcado por polêmica em relação aos dados oficiais. A falta de clareza em indicadores econômicos, como a inflação, fez com que veículos de imprensa não os publicassem, como a prestigiada revista The Economist. Em novembro, cerca de 700 mil pessoas protestaram em todo o país contra os escândalos de corrupção do governo e o aumento dos preços e da criminalidade.
Outra polêmica foi a briga judicial em relação à Lei dos Meios, aprovada em 2009, mas que ainda não entrou em vigor. O texto limita a atuação dos meios de comunicação no país, não permitindo monopólios no setor. A Justiça argentina surpreendeu o governo ao anunciar que nada poderá ser feito até que haja a decisão sobre a constitucionalidade de dois artigos da lei. A questão fica para 2013.
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Paraguai: Golpe de Estado e saída do Mercosul
O Paraguai teve em 2012 um dos anos mais movimentados de sua história recente. Em junho, o Senado aprovou com grande maioria o impeachment do então presidente Fernando Lugo. O cargo foi assumido pelo vice-presidente, Frederico Franco. Houve muita tensão no Uruguai. Diversos países retiraram suas representações diplomáticas do território.
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Em resposta à instabilidade política, o Mercosul decidiu suspender o Paraguai do bloco até a realização de novas eleições no país. O anúncio foi feito por Cristina Kirchner, presidente da Argentina, uma semana após as mudanças internas. Em setembro, as autoridades paraguais enviaram protesto formal ao bloco sul-americano, afirmando que exigirá pagamento de indenizações pelos danos que a suspensão do Mercosul causou ao país. As eleições acontecem em abril de 2013.
Uruguai: Aborto e maconha
O pequeno Uruguai chamou a atenção internacional. O presidente José Pepe Mujica passou o ano defendendo a legalização do comércio de maconha. O texto foi enviado ao Congresso, mas Mujica suspendeu a promulgação da lei após pesquisa de opinião mostrar que a maioria dos entrevistados é contra a proposta. "Nós não podemos fazer coisas que outros países maiores não podem fazer", destacou o presidente na ocasião.
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Além disso, em outubro, o Senado uruguaio aprovou projeto de lei que descriminalizou o aborto. Com a decisão, o país se tornou o segundo país da América do Sul (depois da Guiana) a permitir o aborto por qualquer mulher que deseje fazê-lo, até a décima segunda semana de gestação.