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CPI do Cachoeira acabou em pizza

Contraventor, porém, foi condenado a 39 anos de prisão

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Deflagrada em fevereiro deste ano, a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal (PF), desencadeou a perda de mandato e prestígio de políticos, além de envolver em escândalos empresas privadas que possuem contratos firmados com a máquina pública, como a construtora Delta. Pivô da história: o bicheiro Carlos Augusto Ramos, mais conhecido como Carlinhos Cachoeira, apelido que virou nome e tema de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso Nacional. CPMI esta que terminou neste mês sem indiciados e com relatório final rejeitado por 18 votos a 16.

A prisão de Carlinhos Cachoeira e mais 34 envolvidos no esquema de exploração de jogos ilegais, além dos 37 mandatos de busca e apreensão, logo ganhou notoriedade na mídia e outros personagens começaram a surgir. Até então conhecido como “senador ficha limpa”, o ex-senador por Goiás Demóstenes Torres foi o primeiro a ter seu nome envolvido com o contraventor.

Acusado de ganhar eletrodomésticos de presente de casamento de Cachoeira, Demóstenes discursou em plenário para se defender e recebeu o apoio da maioria dos senadores. Duas semanas depois, no entanto, novas escutas telefônicas da PF revelaram que o senador pediu a Cachoeira R$ 3 mil para pagar despesas com táxi-aéreo. O ex-senador teve o mandato cassado em julho.

A CPMI do Cachoeira foi instalada em abril no Congresso com respaldo dos deputados e senadores. O primeiro depoimento de Cachoeira foi marcado pelo silêncio do bicheiro em mais de duas horas de sabatina, que alegou o direito de permanecer calado previsto na Constituição federal.

Durante o avanço da comissão e das operações Monte Carlo e Vegas, surgiram fatos que mancharam ainda mais o cenário político brasileiro. Os governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB); e do Distrito Federal, Agnello Queiroz (PT), foram acusados de manter relações com o esquema comandado por Cachoeira. Em depoimentos à comissão, nada foi oficialmente constatado.

Já o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), teve o nome envolvido no escândalo graças ao grande número de contratos firmados com a empreiteira Delta, acusada de ser uma empresa laranja de Carlinhos Cachoeira e que recebeu a maior verba do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal. Além disso, o dono da construtora, Fernando Cavendish, e Cabral são, conhecidamente, grande amigos.

Acabou em pizza

Entre depoimentos que não levaram a nenhuma conclusão sobre práticas criminosas de agentes públicos e privados, pode-se dizer que, como já é costume no Brasil, a CPI do Cachoeira terminou em pizza. Nem Delta, nem políticos, com exceção de Demóstenes Torres, foram oficialmente indiciados, pois a comissão terminou como começou, no zero. Relatório final: rejeitado por 18 votos a 16. Carlinhos Cachoeira, no entanto, está preso e condenado a 39 anos de prisão.

*Do Programa de Estágio do Jornal do Brasil