Jogaço salva VAR e mostra que time vale como craque

MOSCOU - Nestor Pitana já estava havia quase um minuto em frente ao monitor quando deu dois passos em direção ao campo. Desistiu e voltou para ver mais uma vez a jogada em que a bola pareceu desviar na cabeça de Matuidi, antes de tocar o braço de Perisic. Foi tão rápido que o jogador da Croácia não teve tempo de reação. Pitana cravou pênalti. Estava visivelmente inseguro.

O pior que poderia acontecer para a Copa do Mundo na decisão seria a falha do árbitro com vídeo. Ainda que seja conhecida a tese de que o uso da tecnologia serve para a mínima interferência com máximo benefício. Só não foi máxima porque o segundo tempo tratou de salvar o árbitro. Que jogaço! 

O vídeo deve continuar e ser aprimorado. O avanço indiscutível da arbitragem é a tecnologia da linha do gol. Essa não erra.

Também parece infalível a campeã França. Pelo segundo tempo, vale mais falar sobre o futebol. Falemos de Griezmann e de Pogba, em sua melhor atuação no Mundial. Tinha sido decisivo contra a Austrália, mas sempre jogando menos do que pode. Alcançou seu melhor desempenho na jogada de seu gol, o terceiro. Deu lançamento perfeito e aproximou-se da área para finalizar. 

A França festejou o aniversário da queda da Bastilha neste final de semana com o slogan “Liberté, égalité, fraternité e Mbappé”.

Os franceses simbolizam o que foi o Mundial da Rússia em vários aspectos. 

A Copa da bola parada, em que 38% dos gols nasceram assim, tem um campeão que marcou metade das vezes em jogadas de faltas e escanteios. Na Copa em que 59% das vezes quem teve a posse de bola não venceu, a França entregou o controle da bola para a Croácia e usou o contra-ataque para ganhar a final. 

Numa Copa do Mundo em que não houve um craque indiscutível, assim como em 2006, 2010 e 2014, pode-se debater se Griezmann, Pogba ou Mbappé foi o mais talentoso. As  Copas mostram que os bons times são mais importantes do que os grandes craques, neste tempo de espaço curto entre as linhas defensivas.

Mas o símbolo do time é Mbappé. O primeiro homem com menos de 20 anos a fazer um gol em finalíssima, depois de Pelé. O jogador mais rápido do planeta é também emblema de um período da história do futebol em que a velocidade será fundamental, e o drible, idem. Mas em que será necessário que os grandes times trabalhem para que os craques possa driblar no mano a mano.