Contra Suíça e bipolaridade

MOSCOU - O retrospecto contra a Suíça não é bom. São oito jogos na história, com três vitórias e duas derrotas.

 Dez dias antes da despedida da seleção de Telê Santana para a Copa da Espanha, a Folha descreveu o empate por 1 a 1 com os suíços, num amistoso no Recife, como “os piores 45 minutos da história da seleção ou, quem sabe, o primeiro tempo em que menos empenho os jogadores tenham demonstrado.” 

O texto de José Maria de Aquino dizia também que a seleção pouco fez para confirmar seu favoritismo para a Copa. 

Favoritismo... 

O Brasil estreia contra a Suíça com a maior parte da crítica destacando o time como favorito à conquista. A seleção de Tite é candidata. Favorita não pode ser na reestreia em Copas do Mundo, 1.431 dias depois do 7 a 1. Seguimos bipolares quando o assunto é futebol. Há dois anos, era a pior geração de jogadores da história do país. Hoje, o Brasil é favorito? 

Gabriel Jesus, Willian, Coutinho e Neymar são chamados de quarteto mágico. Juntos, jogaram apenas 72 minutos e só iniciaram a partida contra a Áustria. 

Neste domingo, você escutará a palavra “ferrolho” umas 30 vezes. Ferrolho era o sistema da Suíça dirigida pelo austríaco Karl Rappan, que usava um líbero atrás de uma linha de quatro homens. No meio, só dois jogadores. Daquele jeito, os suíços eliminaram a Alemanha na primeira fase do Mundial de 1938 e empataram com o Brasil na Copa de 1950 por 2 a 2, no Pacaembu. 

A Suíça não é ferrolho há 30 anos. Nem quando se tornou a primeira seleção da história das Copas do Mundo eliminada sem sofrer nenhum gol, em 2006, foi retranqueira. 

Como qualquer time moderno, a Suíça defende quando não tem a bola e ataca quando tem. No amistoso contra a Espanha, teve 35% de posse de bola. Mas é possível que o técnico Vladimir Petkovic peça para subir a marcação e dificultar a saída da defesa do Brasil, a mesma que passou perigo no amistoso contra a Áustria, atravessando três vezes a bola na grande área. Se Seferovic e Shaqiri estiverem atentos, o Brasil correrá riscos. 

A seleção chega forte à Copa do Mundo e não se contamina pelos elementos externos. Nós é que somos todos bipolares. Em 1982, depois de empatar com Suíça, o país maravilhou-se com a goleada por 7 a 0 sobre o combinado da Irlanda. A seleção era ótima, o rival, ridículo. Não ganhou a Copa. 

Com Tite e Neymar, o Brasil pode vencer. Mas o primeiro passo é melhorar o retrospecto contra a Suíça.