Se a simples menção da palavra esporte num filme lhe causa arrepios, desta feita recomenda-se um pouco de paciência (e menos frescura, convenhamos). O homem que mudou o jogo é, sim, um filme sobre beisebol, modalidade que pode ser tratada como unanimidade no Brasil, afinal, a grande maioria dos brasileiros não faz a menor ideia do que seja ou como se joga.
Mas mesmo tão desconhecido, o beisebol não é a força-motriz do longa estrelado por Brad Pitt - em performance sólida, talvez uma das três melhores do ator de 49 anos. O beisebol, para ficarmos num horroroso clichê, é o "pano de fundo" para um embate entre modernidade e tradição. Pitt interpreta um gerente (ou manager, como queiram) de um time da liga profissional americana de beisebol, sem títulos, sem estrelas e lutando para montar, com orçamento reduzido, uma equipe razoavelmente melhor do que a da temporada que passou. Para tanto ele contrata um novato no ramo (Jonah Hill), criador de um sistema estatístico de seleção de atletas. O sistema não seleciona os melhores em todos os fundamentos do esporte, mas os de melhor desempenho em determinados fundamentos.
A velha guarda, acostumada à observação cuidadosa de jogadores em ligas menores e times amadores, logicamente vê com reservas o sistema, exatamente por que a maioria pode ser varrida do mapa por um simples computador. Para fins práticos, O homem que mudou o jogo é um filme sobre a morte das tradições e como elas, via de regra, não são fáceis, tampouco suaves.
Mas há outro embate. O do personagem de Pitt consigo mesmo. Promissor talento do esporte, ele jamais correspondeu em campo às expectativas dos pais (que o queriam advogado) ou dos olheiros, que o encontraram e levaram ao profissionalismo. Como gerente do time, o panorama não fica muito distante disso. O que lhe resta? Ser um bom pai, o que passa boa parte do filme tentando ser. E, em alguns momentos, consegue.
Cotação: **** (Excelente)
>> Locais em que o filme está em exibição entre 24 de fevereiro e 1 de março
Zona Sul: Cinépolis Lagoon 3: 12h (sáb e dom), 18h, 21h. Kinoplex Leblon 3: 15h30, 18h20, 21h15, 6a e sáb também às 23h55. Kinoplex Fashion Mall 3: 15h50, 18h30, 21h15. Barra/Recreio: UCI NY 7: 18h30, 21h20, 6a e sáb também às 00h10. Via Parque 4: 15h, 17h50, 20h40. Cinesystem Recreio 4: 19h15, 21h55. Cinemark Downtown 2: 16h, 18h55, 22h. Zona Norte: Iguatemi 2: 15h, 17h50, 20h40.
>> Programação de Cinema completa de 24 de fevereiro a 1 de março