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Crítica: 'O garoto de bicicleta'

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Depois de dividir em Cannes o Grande Prêmio do Júri com Once upon a time in Anatolia, de Nuri Bilge Ceylan, e abrir a 35ª Mostra de SP, O garoto de bicicleta, de Jean-Pierre e Luc Dardenne, chega ao circuito.

O filme é mais uma investida dos Dardennes na temática político-social, que eles vêm seguindo desde filmes como La promesse, sobre trabalho semi-escravo de imigrantes ilegais na Bélgica, Rosetta, que aborda a desumanidade do desemprego e A criança, forte drama sobre um casal marginalizado.   

A história do novo filme dos diretores belgas segue um jovem de 13 anos, que  vive em um lar para menores. Na busca desesperada pelo seu pai – e tendo dele como última recordação uma bicicleta – Cyril passa os fins de semana com a cabeleireira Samantha (Cécile de France), que lhe oferece abrigo e carinho.

Inicialmente os diretores tinham imaginado Samantha como uma médica ou psicóloga, mas mudaram de ideia por considerarem que, como cabeleireira, ela seria mais convincente no papel da mulher que ajuda um garoto a emergir da violência que o faz prisioneiro. 

Cyril é interpretado pelo excelente novato Thomas Doret, que foi selecionado entre mais de 150 garotos aspirantes ao papel.  

Como sempre acontece no cinema dos irmãos cineastas, por trás de uma história particular o filme traz um olhar crítico e universal sobre a sociedade atual, as turbulências que permeiam a vida, a crise das relações entre as pessoas e a família. A dura realidade da Bélgica é pano de fundo para esta história de amor com vários elementos de contos de fada: cenas numa floresta, pessoas boas e outras más, Cyril, que é um pouco Pinóquio e Samantha, uma espécie de fada madrinha.

Fugindo à regra que costumam seguir no seu trabalho, os diretores abriram uma exceção para utilizar música neste filme, mesmo que de uma forma fragmentada. Segundo contaram, hesitaram muito antes de decidir, mas acharam que o contexto da história precisava ter desenvolvimento, lirismo e momentos de emoção, que a música consegue transmitir. Apesar da carga dramática do tema, a abordagem do filme é delicada, escapa da cilada fácil de retratar uma bondade de clichê e, acima de tudo, deixa um rastro de esperança.

Cotação: *** (Ótimo)

Especial para o Jornal do Brasil

>> Locais em que o filme está em exibição entre 10 e 16 de fevereiro 

Zona Sul: Cine Joia: 15h (exceto 2a).  

>> Programação de Cinema completa de 10 a 16 de fevereiro