Transporte coletivo e prioridades de governo

Transporte coletivo e prioridades de governo

 Governar é definir prioridades, escolhas estabelecidas no programa de governo e nas promessas dos palanques durante as campanhas. O chavão não está explícito nos cartazes das manifestações, mas é certamente disso que se trata quando milhares de pessoas vãos às ruas, diariamente, em cantos diversos do país para protestar.

Há algum tempo, muitos vinham se questionando sobre o significado das pesquisas e o que aparecia como uma contradição indecifrável. A péssima avaliação que a população fazia dos serviços de educação, saúde, segurança e transporte que recebem em troca dos altíssimos impostos que pagam, contrastava com a ótima impressão que tinham do governo e, especialmente, da presidente da República que vinha batendo recordes de popularidade.

Em algum momento, durante as manifestações que começaram com a reivindicação da redução do preço das tarifas de ônibus, houve uma tomada de consciência. O governo, descobriu-se, não está dissociado dos problemas que afligem o cotidiano das pessoas. Tampouco  o Congresso, tomado ultimamente por um entusiasmo legiferante nunca visto, está isento de responsabilidade. Poupado nos protestos, o Judiciário também se move e, coincidência ou não, acaba de decretar a prisão de um parlamentar no exercício do mandato, fato inédito na história.

As ruas apontam quais prioridades e em qual sentido devem atuar o governo e o Estado brasileiro, do ponto de vista da população. Por exemplo, não se entende que iates e jatinhos particulares estejam isentos do Imposto Sobre Veículos Automotores (IPVA), quando ainda permanecem taxas e contribuições pesando sobre o transporte coletivo. Esse detalhe pode não explicar tudo, mas diz muito sobre o país que temos e o país que queremos.

*Pedro Simon é sandor pelo PMDB-RS