POLÍTICA

PF adia depoimento de Anderson Torres em função de 'piora significativa no quadro depressivo'

Pedido da defesa foi enviado à Polícia Federal na manhã desta segunda-feira (24)

Por GABRIEL MANSUR
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Publicado em 24/04/2023 às 13:00

Alterado em 24/04/2023 às 13:31

Anderson Torres está preso desde 14 de janeiro Valter Campanato/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) adiou o depoimento de Anderson Torres, que estava inicialmente agendado para às 14h desta segunda-feira (24), informou a defesa do ex-ministro da Justiça. A decisão pelo adiamento foi tomada pelo delegado responsável pelo caso após pedido dos advogados de Torres.

O adiamento foi justificado em decorrência do estado de saúde do ex-ministro, que vem sofrendo com crises de ansiedade e quadros depressivos desde sua prisão, em 14 de janeiro. Neste fim de semana, foi solicitado que um psiquiatra da rede pública de Saúde, que já acompanha Torres desde o início da prisão, fizesse um diagnóstico do quadro atual.

De acordo com a defesa, o laudo atestou a impossibilidade de o ex-ministro da Justiça de “comparecer a qualquer audiência no momento por questões médicas durante uma semana” em função "da piora significativa no quadro depressivo". O estado psicológico do ex-ministro “piorou bastante” nos últimos dias, agravado pela decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de manter Torres na prisão.

"Ocorre que, após ter ciência do indeferimento do pedido de revogação de sua prisão preventiva, o estado emocional e cognitivo do requerente, que já era periclitante, sofreu uma drástica piora. Nesse cenário, a psiquiatra da Secretaria de Saúde do DF que o atende atestou, em 22/04/2023, a impossibilidade de Anderson Torres ‘comparecer a qualquer audiência no momento por questões médicas (ajuste medicamentoso), durante 1 semana'”, disse o advogado Eumar Novacki, no pedido à PF.

Desde o primeiro dia de prisão, o ex-ministro tem utilizado remédios diários devido a variações de humor, comportamento apático e dificuldade para dormir.

A data do novo depoimento será definida pelo delegado Flávio Reis, presidente do inquérito da PF, que investiga a atuação de Torres e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no segundo turno das eleições presidenciais do ano passado.

 

Prisão

Secretário de Segurança Pública do Distrito Federal durante os atos golpistas de 8 de janeiro, Anderson Torres foi detido por meio das apurações sobre os atos antidemocráticos e cumpre a prisão no 4º Batalhão da Polícia Militar, no Guará, desde que voltou ao Brasil.

Torres viajou aos Estados Unidos antes dos atentados contra o resultado das urnas, o que levantou suspeitas de conivência ou omissão. Ele também é investigado por ações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que, segundo relatório, realizaram "fiscalizações atípicas" na data que marcou o segundo turno das eleições de 2022.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, pediu o novo depoimento para aprofundar o inquérito em andamento na Corte.

 

Blitze 'atípicas'

Também são apuradas supostas blitze em estados e cidades onde Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tinha mais vantagem nas pesquisas eleitorais e votos do primeiro turno contra Jair Bolsonaro (PL). Na época, Torres era ministro da Justiça de Bolsonaro. No cargo, a PRF e a PF estavam subordinadas a ele.

Na terça-feira (18) da semana passada, a ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça, Marília Alencar, admitiu em depoimento à PF que produziu um mapa para o ex-ministro dos locais onde Lula obteve mais votos no primeiro turno das eleições.

O mapa teria sido usado por Torres juntamente à PRF na tentativa de impedir que eleitores de Lula chegassem aos locais de votação no segundo turno. Blitze foram montadas em municípios de estados do Nordeste com base nesse mapa feito pela inteligência.

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