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Torres teve relatório sobre votos em Lula no 1º turno e articulou ações fakes da PRF para impedir eleição do petista

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Por POLÍTICA JB
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Publicado em 03/04/2023 às 05:10

Alterado em 03/04/2023 às 07:25

O ex-ministro da Justiça Anderson Torres Folhapress

Após o primeiro turno, ex-ministro teria recebido "boletim" da então diretora de Inteligência do Ministério da Justiça, delegada Marília Alencar, para saber quais cidades Lula fez mais votos e esquematizar operações da PRF. Sobre a "minuta do golpe", ex-secretária desmentiu Torres em depoimento à PF.

Apesar de já ter se passado quase três meses após as invasões em Brasília, as investigações continuam, e para o então Secretário de Segurança Pública do DF e ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, as apurações o "encrencam" ainda mais.

Em relação ao documento, encontrado em sua casa pela Polícia Federal, que dava aval jurídico para que o ex-presidente Jair Bolsonaro contestasse a eleição – texto que ficou conhecido como "minuta do golpe" –, Torres disse à PF que quem havia lhe dado o papel foi sua secretária.

Entretanto, segundo a coluna de Lauro Jardim em "O Globo", em seu depoimento à PF, a secretaria foi taxativa: "Nunca entreguei nada".

Ao mesmo tempo, outro foco de complicações para o ex-ministro é o seu envolvimento mais direto com o processo eleitoral do que se imaginava.

Lauro Jardim afirma que uma das mais recentes descobertas da PF é um "boletim de inteligência" produzido pela então diretora de Inteligência do Ministério da Justiça, Marília Alencar. A ex-diretora é delegada e, posteriormente, foi trabalhar com Torres na Secretaria de Segurança do DF.

O documento foi produzido em outubro e detalhava os locais em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia sido mais votado no primeiro turno. Para os investigadores, o material serviu para que o ex-ministro colocasse em prática a tentativa de atrapalhar a chegada dos eleitores do petista aos locais de votação nestas regiões, com as rechaçadas operações feitas pela PRF no dia 30 de outubro.

A investigação em torno do assunto ganhou impulso quando se percebeu que a delegada tentou apagar o "boletim de inteligência" do seu celular, mas a PF recuperou parte do material.

Há também uma viagem fora de agenda de Torres à Bahia, em um avião da FAB, dias antes do segundo turno. Acompanhado do então diretor da PF Marcio Nunes, o ex-secretário foi pressionar o então superintendente regional, Leandro Almada, a atuar na operação no dia da eleição, dando apoio à PRF, diz a mídia.

Anderson Torres está preso desde o dia 14 de janeiro, quando voltou dos Estados Unidos para o Brasil sob pedido da Justiça após as invasões em Brasília no dia 8 de janeiro. Segundo o ministro do Supremo, Alexandre de Moraes, Torres foi "no mínimo omisso" diante dos atos, visto que entrou de férias um dia antes de tudo acontecer. (com Sputnik Brasil)

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