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Pandemia poderá levar ministro da Saúde à presidência em 2022?

Wilson Dias/Agência Brasil -
Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta
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Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

A polêmica posição do presidente Jair Bolsonaro em meio ao surto da Covid-19 favoreceu o fortalecimento da imagem de seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que, para alguns analistas, pode ser um nome na disputa pela presidência em 2022.

Pesquisas de opinião vêm mostrando grande aprovação popular do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, maior que o dobro da obtida pelo presidente Jair Bolsonaro. Além disso, uma análise recente da consultoria Quaest mostra que Mandetta ultrapassou, nas redes sociais, figuras que buscam manter visibilidade política para 2022, como o ex-presidente Lula (PT), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o apresentador de TV e empresário Luciano Huck.

Nos últimos anos, muito se comentava sobre a dificuldade de se encontrar um nome que unisse o chamado centrão da política brasileira. Além de sua popularidade, o fato de pertencer ao DEM, partido que comanda a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, vem sendo apontado como outro motivo de fortalecimento da figura do ministro, levantando considerações sobre uma possível candidatura à presidência nas próximas eleições.

Para o cientista político Guilherme Carvalhido, professor da Universidade Veiga de Almeida (UVA), do ponto de vista eleitoral, ainda é muito cedo para afirmar que a atual popularidade de Mandetta poderia gabaritá-lo para o pleito de 2022. No entanto, segundo ele, as circunstâncias fazem o político, e sua imagem vai sendo formada justamente nesse período em que se apresenta essa possibilidade de candidatura.

"Então, apesar de muito cedo, Mandetta pode se tornar, sim, um pré-candidato à presidência da República, visto que a atuação dele na crise do coronavírus vem sendo colocada como muito positiva para a população. Mas não esqueçamos: política é muito temporal. E existem também as concorrências", disse o especialista.

De acordo com o acadêmico, pensando em termos do chamado centrão, formado por partidos sem posicionamento ideológico específico e sem uma grande figura representativa, é preciso salientar que, desde o ano passado, esse grupo vem rearticulando uma velha parceria não apenas com o DEM, mas também com o PSDB, partido que, atualmente, já conta com um nome de peso para as eleições de daqui a dois anos.

"Cria-se, ali, mais uma possibilidade de candidatura desse grupo forte brasileiro. Hoje, vejo Doria mais bem posicionado do que Mandetta. Mas, como eu sempre digo, a circunstância faz a política. E Mandetta poderá, dependendo de como ele se desenvolver, dentro das suas atuações e da sua comunicação política com a população, mesmo dentro do governo Bolsonaro, se tornar uma alternativa. E aí, chegando perto da eleição, ver qual é o melhor acordo possível."

Ainda segundo o cientista político, além da concorrência interna em uma possível coalizão, dentro do próprio partido do ministro da Saúde "há múltiplas possibilidades". E, assim, ele se torna, por enquanto, apenas mais uma opção.

"O que aconteceu foi que o fato de a pandemia ter ocorrido, de uma certa forma, de maneira inesperada fez com que a presença dele, a atuação dele se destacasse. Principalmente pela posição de Bolsonaro, contrária às ações internacionais de combate à pandemia", explica Carvalhido. "Se Bolsonaro tivesse ficado um pouco mais alinhado com as ações governamentais, talvez Mandetta nem aparecesse. Ele apareceu muito por causa da dualidade do discurso de Bolsonaro."

Para o professor da UVA, não há dúvidas de que a relação entre o ministro e o presidente está "extremamente afetada", como evidenciado no recente desejo do chefe de Estado de substituir o responsável pela pasta da Saúde.

"Até porque a personalidade de Bolsonaro é manter-se como centro, centro das atenções. Ele é bastante vaidoso, ele é bastante centralizador. E, quando vê, no seu próprio governo, alguém que compete com ele, vê isso como um elemento negativo. Isso é a posição de Bolsonaro. Mas, dentro da estrutura política do governo, ir contra um ministro que está atuando favoravelmente ao fortalecimento das ações do governo é um contraposto." (Sputnik Brasil)