7 de Setembro: a liberdade que nunca chegou

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A República brasileira foi instaurada por um golpe de Estado. Daí em diante, nos habituamos a conviver com interrupções do sistema democrático com outros golpes, sempre, ou quase sempre, por iniciativa das forças armadas. O último em 1964, que se transformou em uma ditadura que durou mais de 20 anos.

Desde a promulgação da anacrônica Constituição de 88, vivemos e experimentamos eleições livres.

Neste diapasão foi eleito, livremente, por decisão soberana do povo, o capitão do Exército e político profissional, Jair Messias Bolsonaro.

Deputado por seis mandatos, ficou conhecido nacionalmente por suas posições de extrema direita, defendendo até mesmo a tortura. E Bolsonaro foi, com essa trajetória, eleito pelo voto direto...

Soube, melhor que todas as outras lideranças nacionais que disputaram com ele, atribuir ao PT e à esquerda a responsabilidade pela Lava-jato, o maior escândalo de desvio de recursos públicos de nossa história.

Com linguagem idêntica ao do ex-presidente Lula, de forma simples e direta, soube chegar ao coração do simples cidadão. E ganhou as eleições.

Eleito, Bolsonaro trouxe com ele para exercer o poder tudo o que um regime democrático não suporta: o sentimento do ódio e a da violência.

Prova disso, da mesma forma que Bolsonaro, foi Trump nos EUA: eleito, desde o primeiro dia de seu mandato, só teve como discurso e práticas o ódio e a violência como instrumentos de poder. Resultado: perdeu a reeleição.

Bolsonaro, junto com seus três filhos sem profissão definida (a única atividade conhecida, além das "rachadinhas", é serem políticos na sombra do pai), comandam, hoje, atos contra a democracia brasileira, ao instigarem manifestações contra os poderes constituídos.

Não sabemos onde isso tudo pode parar. Mas sabemos muito bem a situação em que Bolsonaro nos colocou: um país desmoralizado internacionalmente, com a economia sob o comando de um incompetente, crescendo zero, com o maior índice de desemprego da história etc.

Mesmo assim, com tudo isso, Bolsonaro foi eleito e tem apoio de milhões de brasileiros.

Partindo para o confronto, como já decidiu, resta ao presidente duas saídas para ele e para o Brasil: dar um golpe de Estado, ou ser defenestrado pelas eleições do ano que vem.

Lutemos pela segunda alternativa.

A democracia brasileira saberá resistir.