Mulheres são maioria nas urnas, mas só 10% na Câmara

O voto feminino pode ser decisivo nas eleições gerais de outubro. Afinal,  52% do eleitorado, mais de 77 milhões de votos, são mulheres, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A metade delas, cerca de 38 milhões, é chefe de família. Contudo, hoje elas somam apenas um décimo dos parlamentares no Congresso Nacional – 45 deputadas contra 468 homens.

“Precisa ter equidade de representação, seja na área gerencial, CEOs e política, que é onde a gente tem poder de decisão. O Brasil tem uma espécie de burca invisível. Mais mulheres na política significa mais projetos em defesa da mulher, da família, e direitos humanos, porque elas estão muito ligadas a essas matérias”, disse a deputada Soraya Santos (PR), coordenadora da Secretaria de Mulheres na Câmara. 

Ela lembrou que o Brasil está entre os piores rankings mundiais de representatividade feminina na política. Segundo a União Interparlamentar Internacional (UIP), com base em dados de janeiro de 2018, o Brasil ocupa o 152º lugar, entre 193 países – o pior resultado entre os latino-americanos, atrás, por exemplo, da Bolívia e de Cuba. 

Na Câmara tramita, desde 2016, uma proposta de emenda que reserva percentual mínimo de representação feminina no Poder Legislativo em todos os níveis federativos, variando de 10% a 16%. Entretanto, o texto está parado para ser apreciado no plenário desde outubro do ano passado. “Esse foi o único item da reforma política que não foi votado”, contou Soraya, que também é relatora da PEC. 

Conforme a lei estabelecida para o fundo partidário, o Supremo Tribunal Federal (STF) fixou nova regra pela qual os partidos deverão destinar, no mínimo, 30% dos recursos às campanhas de candidaturas femininas. “Já vai ter um impacto nessas eleições, embora as candidaturas já tivessem passado do prazo de inscrição quando veio a decisão do Supremo. Mas é uma decisão histórica”, disse Soraya. 

Cada coligação também é obrigada a ter 30% de mulheres entre seus candidatos, mas isso não vale para a eleição presidencial. Dos dez nomes considerados para a disputa, apenas dois são de mulheres: Marina Silva (Rede) e Manuela D’ Ávila (PCdoB). Segundo a última pesquisa do Datafolha, sem a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, considerando apenas o eleitorado feminino, a líder é Marina Silva, com 17%, contra 12% de Jair Bolsonaro (PSC) – entre os homens, a liderança é invertida, 12% e 26%, respectivamente. Bolsonaro vem tendo dificuldade de conquistar os votos das mulheres, por suas conhecidas declarações machistas.

As mulheres, entretanto, não formam um bloco de pautas uniforme. Dados do Datafolha mostram que o percentual de indecisão das eleitoras é grande entre as de menor renda – 45% das que ganham até dois salários mínimos – e supera metade do eleitorado feminino no Nordeste – 52% das moradoras daquela região estão sem candidato. Um desafio para o debate eleitoral e os candidatos à Presidência. “Não é uma questão de deixar de votar em um homem para votar em uma mulher, é não votar em um homem que não acredita nas candidaturas femininas”, defendeu a deputada. 

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