ASSINE
search button

PT fará ato após impasse no TRF4

Para petistas, ex-presidente Lula saiu mais forte depois do episódio de domingo envolvendo HC

Compartilhar

Na avaliação do PT, o episódio de domingo envolvendo o habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva evidenciou a postura tendenciosa do Judiciário e a tentativa de evitar que ele seja solto. O assunto foi discutido na reunião do Conselho Político da Executiva Nacional da legenda, realizada ontem, em São Paulo, onde os petistas também consideraram que foi correta a estratégia judicial para tentar libertar Lula. Segundo petistas, o ex-presidente saiu ainda mais forte depois desse episódio. Um grande ato político está sendo organizado para o dia 15 de agosto, quando será feito o registro da candidatura de Lula à sucessão de outubro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília.

Para a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), a aparente derrota de Lula nessa batalha jurídica terá efeito contrário e servirá para deflagrar uma nova onda de mobilizações em defesa do ex-presidente. “Vamos reforçar o abaixo-assinado de Lula Livre, reforçar as mobilizações em todas as cidades, vamos ler a Carta de Lula que denuncia a falta de isenção de parte do Judiciário em todas as assembleias legislativas e câmaras municipais do país”, afirmou. “A soltura e sua candidatura representa o enfrentamento a este golpe. Representa retomar a democracia e a pauta de direitos do povo trabalhador. O PT com seus quase 40 anos de história não vai arredar pé da candidatura de Lula”, afirma.

Em meio ao vai e vem judicial, o juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, que estava em férias, resolveu se manifestar contra o HC concedido pelo desembargador de plantão, Rogério Favreto, para libertar Lula. Mesmo que a decisão de Favreto tenha sido questionada por conceder um HC contrariando a decisão do colegiado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), que determinou a prisão do ex-presidente, especialistas afirmam que Moro não poderia ter se manifestado porque o caso está fora da sua jurisdição. “Estamos vivendo um rompimento da ordem democrática, um aprofundamento do golpe e Lula é a grande vítima da situação”, disse Gleisi.

O PT pretende representar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra Moro e os desembargadores do TRF-4, Gebran Neto, que também se posicionou contra a soltura de Lula e o presidente do órgão, Thompson Flores, que deu a palavra final para manter o ex-presidente preso. Uma reclamação na corregedoria da Polícia Federal por não cumprir determinação judicial também será feita. Segundo Gleisi, houve um conluio para evitar a libertação de Lula, que ficou frustrado com o desfecho do episódio, apesar de que já “guardava dúvida” sobre a efetividade da decisão do plantonista do tribunal. “Desnudou o caráter de uma Justiça de exceção e também a forte disposição de não dar liminar para o Lula, de tirar o Lula da eleição. O nosso esforço é levar Lula para a eleição”, disse o deputado Paulo Teixeira (SP), um dos autores do pedido de HC.

Para o dia 13 julho, o PT está organizando uma mobilização nacional em defesa de Lula e quando também será apresentado um documento com 13 propostas emergenciais para o enfrentamento da crise econômica. No dia 28, será realizado no Rio de Janeiro, um festival de música Lula Livre puxado pelos cantores Chico Buarque, Martinho da Vila e Gilberto Gil e, depois disso, o Encontro Nacional do PT irá homologar a candidatura de Lula. Segundo Gleisi, o partido não irá aceitar decisões diferentes da adotadas pelo TSE e o Supremo Tribunal Federal (STF) em relação ao direito de Lula registrar seu nome como candidato.