Cesar Maia confirma que DEM desistiu da corrida ao Planalto

O deputado e presidente da Câmara Rodrigo Maia (RJ) está prestes a anunciar sua desistência de concorrer à Presidência da República. Aguarda apenas o seu partido, o Democratas, decidir, entre Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB), qual candidato irá apoiar na corrida sucessória. Mas o recuo de Maia já é dado como certo até mesmo por seu pai, o ex-prefeito do Rio de Janeiro César Maia. 

Em análise de conjuntura enviada à organização IDC (Internacional Democrata Centrista), César Maia, que hoje é vereador pelo DEM no Rio, antecipa que “o Democratas não deve lançar candidato a presidente da República”. Segundo ele, a prioridade do partido “é eleger deputados e continuar presidindo a Câmara de Deputados, que tem enorme poder”. 

O pai de Rodrigo diz que o DEM vai centrar esforços em ampliar a sua participação no Parlamento, uma vez que “a imprevisibilidade quanto à próxima eleição é grande”. César Maia usa como exemplo a recente eleição do candidato de esquerda Lopes Obrador, no México que, segundo ele, era previsível. “O que não era previsível é que seu partido recém criado (Morena) elegesse a maioria relativa de deputados e senadores”. 

O ex-prefeito cita que o Democratas possui apenas 8% das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados, que está bastante pulverizada entre 26 partidos. 

Rodrigo Maia, por sua vez, tem falado no apoio ao pedetista Ciro Gomes, numa indicação de que vai mesmo abandonar a disputa. Em evento promovido pelo Ministério das Cidades na quinta-feira, no Rio, o deputado disse que embora haja afinidade entre o seu partido e o PSDB, a tendência é que a aliança seja com o PDT, por causa das alianças estaduais, já que os diretórios locais têm mais “afinidade” com Ciro. 

Ele também acredita que Ciro tende a implementar uma agenda mais identificada com os princípios democratas do que com a esquerda. Eez uma comparação entre Ciro e seu pai, quando governou a capital fluminense. Ele disse que Ciro é o avesso de Maia, ou seja, seu pai falava para a direita e implementou uma forte agenda social. Em seu entender, Ciro adota discurso socialista, mas o seu programa será liberal.  

Esta é a mesma percepção da Executiva Nacional do Democratas que, embora guarde forte identidade com o PSDB, não vê perspectiva em uma aliança com Geraldo Alckmin. Pragmático, o presidente do Democratas, Antônio Carlos Magalhães Neto, defende a aliança com o pedetista. “O coração de Neto está com Alckmin, mas a razão indica que a aliança seja feita com Ciro”, diz uma fonte que tem acompanhado as negociações com ambos os candidatos. 

Além das alianças estaduais, os dirigentes do partido ponderam que o candidato tucano não tem chances de crescer nas pesquisas eleitorais, enquanto o pedetista tende a avançar. A avaliação é que a performance de Ciro Gomes nos debates e na propaganda eleitoral será melhor que a de Alckmin. Está marcado para a próxima quarta-feira um encontro entre partidos de centro liderados pelo Democratas e o candidato tucano.