Veto de Sarney cria mal-estar entre Temer e partido da base aliada

Presidente do PTB, Roberto Jefferson diz que Temer informou sobre "veto"

O veto do ex-presidente José Sarney (PMDB) à nomeação do deputado federal Pedro Fernandes (PTB-MA) para o Ministério do Trabalho, nesta terça-feira (2), gerou impasse e mal-estar entre o presidente Michel Temer e o PTB, um dos principais da base aliada.

Segundo o presidente do PTB, Roberto Jefferson, Temer, em ligação telefônica, admitiu que o recuo do governo é decorrente do pedido de Sarney, tendo em vista que Pedro Fernandes é alinhado ao governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB).

Reverberando as críticas do PTB a Sarney e a Temer, que vem recebendo ajuda do partido no Congresso Nacional para a aprovação de medidas do governo federal, Jefferson disse, ainda, que o partido deve adiar para final de janeiro ou início de fevereiro a indicação de um nome alternativo ao de Pedro Fernandes. O objetivo é esperar "a poeira baixar" e criar menos mal-estar com o nome do preterido.

Por meio de sua assessoria de imprensa, Sarney nega que tenha sequer sido consultado pelo governo sobre a viabilidade do nome de Pedro Fernandes à frente da pasta, que está sem titular desde a semana passada, quando Ronaldo Nogueira, também deputado do PTB, pediu demissão para se dedicar à campanha eleitoral.

Mais cedo, Fernandes disse que o governo desistiu de nomeá-lo porque o ato causaria "embaraço" entre Temer e Sarney. Na semana passada, após a demissão de Nogueira, Pedro Fernandes divulgou o convite por parte do líder do PTB, Jovair Arantes (GO), que já teria sido avalizado por Temer. Na ocasião, Fernandes afirmou que a posse do cargo seria na próxima quinta-feira (4), em cerimônia no Palácio do Planalto.

“Depois do susto, a gente ponderou e acabou aceitando. Já não era minha pretensão concorrer [às eleições de 2018], já estou com cinco mandatos, eu já estava pensando em parar, talvez tenha sido isso que tenha ajudado a me escolher, talvez”, disse o deputado, na ocasião do convite.