Líderes na Câmara comentam votação de denúncia contra Temer

Líderes partidários da base aliada e da oposição comentaram, na noite desta quarta-feira (25), o resultado da votação da denúncia pelos crimes de organização criminosa e obstrução de Justiça contra o presidente Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral), na Câmara dos Deputados.

Enquanto a base governista disse que a votação, agora, é uma "virada de página", deputados da oposição afirmaram que, até as eleições de 2018, o Brasil é um país "sem rumo". Vice-líder do governo, o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) lamentou o "tempo perdido" com a sucessão de denúncias e projetou uma nova fase do governo Temer.

"Vamos encerrar hoje esse triste capítulo da política brasileira, que começou em maio, em um conluio entre corporações públicas egoístas que se uniram a empresários inescrupulosos. O governo sai revigorado e com uma pauta forte: 'agora, avançar'. E vêm imediatamente a reforma da Previdência, a simplificação tributária e outras reformas microeconômicas", destacou.

Também pensando em ações futuras do governo Temer, o vice-líder do Democratas deputado Pauderney Avelino (AM) disse que o foco a partir de agora será a busca de solução principalmente para os problemas econômicos do país.

"Nós vamos buscar uma agenda de matérias urgentes e necessárias, passando pela discussão das questões fiscais do Brasil, segurança pública, mais recursos e melhoria na qualidade da saúde pública e, obviamente, continuar trabalhando no rumo certo da educação e das reformas", defendeu.

Já a oposição não vê condições políticas de Temer conduzir o governo até as eleições do próximo ano. O líder da Minoria, deputado José Guimarães (PT-CE), prevê o agravamento da situação das contas públicas devido às recentes decisões de Temer para agradar sua base aliada na Câmara.

"Qual é o Brasil que vai amanhecer amanhã? Com um governo sem base social, um governo que só tem uma maioria parlamentar, mas que não tem base nenhuma na sociedade brasileira para tomar medidas que possam retomar o crescimento da economia brasileira. Calcula-se que são R$ 33 bilhões que foram negociados com refis e tudo aquilo que vai arruinar ainda mais as contas da presidência da República", avaliou.

A líder do PCdoB, deputada Alice Portugal (BA), seguiu a mesma linha de crítica. "Estamos vivendo uma desordem administrativa e política. Temos hoje esse dublê de presidente da República defenestrando a soberania e as riquezas nacionais com perdão de dívida de ruralistas, leniência elástica para os bancos, anistia das multas de crimes ambientais e os cortes nas áreas sociais", lamentou.

Sobre a saúde de Michel Temer, que chegou a ser internado por causa de uma obstrução urológica, nesta quarta-feira, deputados governistas e de oposição se manifestaram, desejando pronta recuperação do presidente da República.

Emendas

O líder do PT, deputado Carlos Zarattini (SP), criticou a votação, dizendo que o governo teve de gastar muito dinheiro em liberação de recursos para comprar um resultado semelhante à primeira denúncia. Foram 12 votos a menos a favor de Temer nessa denúncia, o que na avaliação da oposição mostra uma crise na base. “E ainda perderam votos, mesmo gastando bilhões, diante desse esforço foi um resultado muito ruim, e mostra que o governo não conseguirá votar mais nada na Câmara”, disse.

Em resposta, o deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA), que é ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República e se licenciou para votar no processo, disse que é normal a liberação de recursos para deputados, e que como as emendas parlamentares agora são impositivas elas são liberadas para todos, independentemente da votação. “Historicamente sempre foi assim, e há uma análise de mérito para cada demanda”, disse.

Da Agência Câmara