A sociedade brasileira ainda esbarra na conscientização sobre as demandas das crianças e dos adolescentes com necessidades especiais e mobilidade reduzida. Algumas das demandas são o acesso à educação e o convívio com os demais. Embora a causa da inclusão tenha ganhado atenção nos últimos anos, o alcance à cidadania ainda encontra muita resistência. A área educacional é uma das mais afetadas, seja pela ausência de um plano pedagógico adequado ou pelo despreparo profissional.
O Colégio Força Máxima aposta em uma integração espontânea. O diretor e professor, Tiago Martins, comenta que a instituição não promove nenhuma atividade específica para a inclusão, mas que a integração ocorre naturalmente, pois todos convivem juntos e partilham das mesmas tarefas.
“Cada aluno executa sua tarefa, o que fazemos é apenas adaptar determinadas situações conforme a necessidade do aluno. Um exemplo: um aluno com baixa capacidade de visão faz a mesma prova escrita que os colegas, porém sua prova possui uma fonte em tamanho maior, um aluno com grau moderado de autismo participa de uma apresentação de dança da turma sendo um pássaro livre para voar”.
Para os educadores, a convivência com as diferenças é muito importante para a comunidade escolar. “Não queremos passar a ideia de um "mundo de igualdade", queremos que nossos alunos entendam que o mundo é diverso e nós fazemos parte dele, cada um de sua maneira. Todos somos capazes, dentro das nossas limitações, uns mais outros menos”, explica Tiago.
O diretor chama atenção. “Embora o foco seja o corpo discente, os pais ocupam um importante espaço nesse processo. Os responsáveis devem estar preparados para a adaptação escolar e entender que o aprendizado é realizado através de etapas. O ambiente escolar busca a socialização e o desenvolvimento com o meio, participando de um complexo processo de aprendizagem. Dessa forma, todos são capazes de alcançar o conhecimento, cada um à sua maneira”.
Interatividade positiva dos alunos com necessidades especiais e os regulares
A Rede Daltro Educacional se preocupa com os métodos de ensino além da sala de aula, buscando desenvolver percepção e sensibilidade para identificar as necessidades dos alunos. Para o psicopedagogo e professor de história, Márcio Fernandes, da Rede Daltro, a socialização deve começar em casa, mas a escola tem o seu papel. “Não esperamos que um aluno com NEEs (Necessidades Educativas Especiais) se adapte à escola, mas sim que a escola se transforme em um espaço acolhedor e desenvolva atividades que promovam a conscientização, a socialização e a interação dos discentes, docentes e responsáveis”.
A interatividade entre os alunos com necessidades especiais e os regulares é positiva e estimula o convívio social, além de proporcionar, desde cedo, o respeito às diferenças. Cada indivíduo possui seu próprio tempo de amadurecimento, onde o mesmo será capaz de evoluir suas habilidades cognitivas. “Não trabalhamos em grupos, todos convivem juntos e partilham das mesmas tarefas”, destaca Martins.
E, para quem tem dúvidas sobre a mensuração da evolução dos estudantes especiais, Tiago Martins é categórico. “Todos são alunos, vão aprender e evoluir. Fala, coordenação motora, expressão corporal, socialização, alimentação e autonomia, são aspectos cotidianos facilmente avaliados. É importante ressaltar que em alguns casos o ambiente escolar cumpre o papel de socialização e desenvolvimento com o meio. Em outros é apenas um processo de aprendizagem adaptado, e sendo assim o aluno conquista conhecimento da mesma maneira que os demais”.