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'Bloomberg': Cronograma da última crise política do Brasil

Reportagem diz que clima de incerteza impera no país

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Matéria publicada nesta sexta-feira (2) pela Bloomberg descreve um cronograma da mais recente crise política do Brasil. 

Segundo a reportagem o país entrou em crise quando a Suprema Corte autorizou uma investigação sobre o presidente Michel Temer, acusando o corrupção passiva e obstrução da justiça.

As alegações fazem parte do último desdobramento da Operação Lava Jato, acrescenta a Bloomberg.

O que poderia acontecer em seguida?

Com a política brasileira tumultuada, muito pouco pode ser dado como certo nos dias e semanas que seguem. Em teoria, o Congresso poderia votar as reformas do trabalho e das pensões no momento do seu período de recesso habitual em meados de julho. Embora menos provável, o Congresso também pode debater uma emenda constitucional para promover eleições gerais diretas.

Outro cenário improvável, mas ainda possível, é a possibilidade de Rodrigo Maia decidir agendar uma sessão sobre os inúmeros pedidos de impeachment apresentados contra Temer. O procurador-geral também pode apresentar acusações formais contra o presidente. Se o caso for aprovado por dois terços da câmara, ele seria julgado na Suprema Corte e o presidente seria suspenso.

Um guia rápido sobre como a nova crise política do Brasil pode se desenrolar.

Terça 6 de junho

O Supremo Tribunal Eleitoral deve retomar suas deliberações sobre alegações de que a campanha de Dilma e Temer nas eleições de 2014 foi financiada com doações ilegais. Quatro sessões estão agendadas até 8 de junho, embora não haja prazo para a decisão final. Uma decisão adversa poderia derrubar Temer da presidência, embora ele tenha ainda o direito de recorrer.

Meio de junho

O ministro das Finanças, Henrique Meirelles, afirmou no dia 29 de maio que esperava uma posição de voto sobre o projeto de reforma do governo na câmara até meados de junho. Mesmo antes do último escândalo acontecer, o governo estava lutando para obter os 308 votos que precisava para passar a medida impopular. Agora, o desafio é ainda maior.

Meio de julho

O Congresso do Brasil deve entrar em recesso, mas isso pode ser adiado.

O que aconteceu desde que o escândalo da JBS?

Tanto o real como o índice de ações de São Paulo tomaram um golpe depois que o presidente Michel Temer foi arrastado para um escândalo de corrupção que ameaça bloquear sua agenda de reformas no Congresso. Aqui está uma linha de tempo dos principais eventos desde o acontecido até o momento atual.

Quarta-feira, 31 de maio

O Banco Central do Brasil reduziu a taxa de juros de referência, a Selic, em 100 pontos base para 10,25%. Na nota que acompanha a decisão, destacou a incerteza enfrentada pela agenda de reformas e indicou que os cortes nas taxas futuras provavelmente serão menos agressivos.

Sexta-feira, 26 de maio

As perspectivas de crédito do Brasil foram cortadas pelo Moody's Investors Service, que disse que o escândalo de corrupção que envolve o presidente Michel Temer representa uma ameaça crescente para a recuperação da maior economia da América Latina. A Moody's reduziu a perspectiva da nação do estável para o negativo e manteve sua classificação em dois níveis abaixo do grau de investimento na Ba2.

Quarta-feira, 24 de maio

Brasília foi abalada por alguns dos mais violentos protestos em anos. Dezenas de milhares de manifestantes, mobilizados pelos principais sindicatos brasileiros, exigiram a expulsão de Temer e o fim de seu programa de reforma. Os manifestantes incendiaram o ministério da cultura e saquearam outros edifícios governamentais, levando o presidente a implantar as forças armadas.

Temer convocou uma conferência de imprensa da tarde para exortar o Supremo Tribunal a suspender a investigação contra ele, dizendo que a evidência registrada havia sido processada. Ele também procurou desacreditar Batista, chamando-o de um "notável" bando alto cuja empresa se beneficiou com o escândalo e que agora está livre para desfrutar a vida em Nova York, tendo fugido do Brasil depois de garantir seu acordo de pechinchas com procuradores.

Sexta-feira, 19 de maio

O Supremo Tribunal divulgou documentos relativos ao testemunho de negociação de  de Batista e à investigação de Temer, que enfrenta um inquérito sobre alegações de obstrução da justiça e corrupção passiva. Depois de uma forte venda de ativos brasileiros no dia anterior, o real recuperou algumas de suas perdas, fechando 3.6 por cento mais alto no dia em que o principal índice de ações do Brasil gera 1,7 por cento.

Quinta-feira, 18 de maio

Os mercados brasileiros caíram cedo, desencadeando disjuntores na moeda e no mercado de ações. No final do dia, cerca de US $ 150 bilhões foram apagados do valor da Bovespa, a moeda caiu mais de 7%, apesar da forte intervenção do banco central, e os swaps de inadimplência de crédito subiram mais desde 2008.

No início da tarde, o Supremo Tribunal publicou a aprovação de um pedido do procurador-geral para investigar o presidente pela obstrução da justiça e corrupção. Poucas horas depois, Temer deu uma coletiva de imprensa na qual ele negou as acusações e afastou possibilidade de renúncia. 

"Eu não vou renunciar. Eu sei o que eu fiz. Eu sei que minhas ações estavam corretas", disse ele.

Quarta-feira, 17 de maio

O último escândalo começou em torno das 8:00 da madrugada no dia 17 de maio, quando o jornal O Globo publicou um relatório em que Joesley Batista, ex-presidente da JBS, havia gravado secretamente Temer endossando o pagamento de dinheiro pelo silêncio de Eduardo Cunha, que orquestrou o impeachment de Dilma Rousseff.

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