'Financial Times': Cultura da corrupção engole elite brasileira

Reportagem com chamada de capa do jornal britânico fala sobre escândalos do país

A edição impressa do jornal Financial Times do último dia 26 traz uma chamada especial para a coluna "Big Read" sobre artigo intitulado "Cultura da corrupção engole a elite brasileira", onde fala sobre o escândalo de suborno envolvendo o presidente Michel Temer e a JBS.

O texto afirma que o ocorrido atingiu o cerne do sistema político e mostra o favoritismo corporativo que envenenou as tentativas do país de realizar todo o seu potencial como Nação.

Para os procuradores da República do Brasil, a Polícia Federal e os juízes, consultados pelo jornal britânico, o acordo de delação da JBS representa um novo triunfo da Lava Jato em sua batalha empreendida nos últimos três anos para combater a corrupção endêmica.

No entanto, o diário afirma que as perguntas não respondidas são para saber se os resultados espetaculares dessas investigações, que já implicaram uma grande fatia da elite política, acabarão por desmantelar o esquema entre governo e grandes empresas, ou se deixará permanecer os incentivos do Estado que dão lugar ao suborno.

Financial Times informa que para Paulo Sotero, diretor no Brasil do Instituto Woodrow Wilson Center, “temos uma corruptocracia no Brasil”, um sistema em que os congressistas vendem seus serviços pela propina de maior valor. 

“É um completo self-service, não tem nada a ver com os interesses do país. Isso está esgotado. Temos que remover isto”, declara o analista.

Financial Times destaca que poucos grupos econômicos se utilizaram tão bem deste sistema como a JBS, que durante as gestões de Lula e às custas do BNDES, se tornou um campeão nacional, seguindo modelo das estatais chinesas ou os conglomerados sul-coreanos.

Além da JBS, o artigo cita também entre as favorecidas pela política do BNDES, a Odebrecht, Petrobras, Embraer, Ambev. 

“O governo brasileiro concedeu tanto subsídio (via BNDES) ao longo dos últimos sete anos quanto os EUA emprestaram para a Europa durante o Plano Marshall”, opina Marcos Lisboa, presidente do Insper.

> > Financial Times