'Clarín': Temer, Lula e FHC se unem para abafar Lava Jato

Jornal argentino diz que atual presidente e antecessores buscam evitar processos

O jornal argentino Clarín publicou nesta segunda-feira (16) uma matéria onde conta que os contatos foram crescendo entre dois ex-presidentes brasileiros e o atual chefe de Estado, Michel Temer. 

Segundo a reportagem, seus antecessores, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inacio Lula da Silva compartilham com Temer a mesma preocupação: impedir a destruição da classe política brasileira. Pelo menos é o que dizem os grandes meios de comunicação brasileiros, acrescenta o Clarín

O texto afirma que alguns veículos vão ainda  mais longe ao dizer que o trio é gerido com o peso de dois emissários: Nelson Jobim ex-ministro e Gilmar mendes, juiz do Supremo Tribunal.

O diário avalia que há razões para se acreditar que esta operação está mesmo em andamento: o Partido Social-Democrata; do Partido dos Trabalhadores e do Partido do Movimento Democrático Brasileiro são os mais afetados pelas acusações de ex-executivos da Odebrecht. Eles não mencionam apenas ministros e legisladores, mas os próprios ex-líderes foram incluídos nas confissões do "patriarca" da Odebrecht, Don Emilio, aos promotores do Ministério Público.

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Em seu relato, o empregador de 72 anos revelou que "ajudou" Fernando Henrique em suas campanhas em 1994 e 1998 (quando ele ganhou a reeleição) através de "dinheiro oficial e não-oficial"; que é legítimo e ilegal. Para Temer, a situação é muito mais complicada do ponto de vista ético: em 2010 ele negociou diretamente com Marcelo Odebrecht, o herdeiro da empresa, recebendo 40 milhões de reais para financiar campanhas do PMDB, descreve o vespertino. Quanto a Lula, Emilio Odebrecht disse várias coisas. Uma delas foi que ajudou a escrever a "Carta ao Povo Brasileiro", em 2002. Foi nessa nota, onde o então candidato presidencial prometeu um grande negócio para evitar "coisas estúpidas" para a economia e na política nacional e internacional, que ele ganhou a "indulgência" do poder econômico brasileiro. O filho de Don Emilio, ex-CEO Marcelo foi mais duro com relação ao líder do Partido dos Trabalhadores,dizendo que tinha colocado dinheiro para comprar terra que era para servir a construção do Instituto Lula. E ele admitiu que tinha financiado reformas na quinta Atibaia, que não é de Lula, mas ele costumava usá-la com a família.

Clarín diz que Fernando Henrique Cardoso, Lula e Temer negam fortemente as alegações que os envolvem como receptores de recursos de campanha e alegaram que não estavam legalmente registrados. De qualquer forma, os três políticos concordaram em preservar o um status quo: Temer continuar no cargo até 2018, para garantir as eleições presidenciais do próximo ano. Nesse acordo, Lula não se oporia da presente decisão para ficar nas eleições como candidato do PT. 

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