'El País': Temer ignora ‘furacão Fachin’

Presidente diz que Legislativo não pode parar

Matéria publicada nesta quarta-feira (12) pelo jornal espanhol El País analisa que Brasil vive uma Semana Santa sob o impacto da divulgação da "delação do fim do mundo", com as confissões de 78 ex-executivos de uma das maiores construtoras da América: a Odebrechet. 

O diário espanhol destaca que mesmo assim, o presidente Michel Temer tenta ignorar a tempestade causada pela divulgação dos nomes na mira do ministro Edson Fachin, relator da operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal. 

Segundo a reportagem o presidente não prevê adotar medidas contra seus oito ministros que serão investigados por corrupção e até pretende acelerar seu impopular programa de reformas.

> > El Pais Temer ignora la tormenta de corrupción e intenta acelerar sus reformas

O diário avalia que dois anos depois desse escândalo de corrupção irromper, com origem nos supostos subornos pagos por empresas em troca de contratos com a petroleira estatal Petrobras, todo o sistema político brasileiro cambaleia. Até 15 partidos, da direita liberal aos comunistas, têm dirigentes envolvidos. O PT, de Lula e Rousseff, foi a princípio o mais golpeado. O clima político criado pelo escândalo –e mais a crise econômica– foi o caldo de cultivo para o impeachment, no ano passado, de Rousseff, embora tivesse sido apresentado como motivo legal a maquiagem das contas públicas, descreve o periódico.

El País ressalta que agora, os instigadores de sua destituição estão também sob suspeita, incluindo o PSDB, do atual prefeito João Doria Jr., um dos nomes que crescem na bolsa de aposta dos presidenciáveis. Além de Aécio Neves, presidente da legenda, o mentor de Doria, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, também teve um pedido de inquérito por supostamente ter recebido milhões em contribuição de campanha eleitoral.

Para o noticiário espanhol o pior ainda pode estar por vir, já que o Supremo entregou nesta quarta (12) aos meios de comunicação os arquivos com as confissões completa dos executivos da Odebrecht, incluindo registros de áudio e vídeo que contêm o relato pormenorizado de duas décadas de compadrio com a elite política do país. Embora o Supremo previsse torná-los públicos na próxima semana, o vazamento, na terça-feira, para o jornal O Estado de S. Paulo o obrigou a antecipar a divulgação. Um certo alívio para o Governo, já que as férias da Semana Santa podem amortizar os efeitos do espetáculo, ironiza El País.

As mensagens que chegam do entorno de Temer são de que o presidente nem vai mudar seu Governo nem vai desistir de seus planos, na confiança de que o percurso judicial do caso será longo, conclui El País.

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