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'The Wall Street Journal': Escândalo de corrupção do Brasil tem efeito cascata

Artigo descreve esquemas da Odebrecht, Petrobras e BNDES

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O jornal norte-americano The Wall Street Journal trouxe em sua edição de segunda-feira (13) um texto de Mary Anastasia O´Grady sobre o escândalo de corrupção que assola o Brasil, envolvendo empresários e políticos.

A construtora brasileira Odebrecht e sua petroquímica afiliada Braskem fizeram história em dezembro, quando se declararam culpadas por crimes de suborno em mais de 12 países e três continentes ao longo de 15 anos nos tribunais federais dos EUA, diz o Journal. Em dois acordos separados, as empresas concordaram em pagar multas de US $ 3,5 bilhões aos EUA, Suíça e Brasil. O recorde anterior para liquidar acusações de suborno foi detido pela empresa alemã de engenharia Siemens, que concordou em multas de US $ 1,6 bilhões em 2008.

A complexidade e a varredura da conspiração Odebrecht-Braskem é impressionante, ressalta o diário em seu artigo de opinião e acrescenta que no Brasil, onde os políticos e os negócios têm tido uma relação simbiótica há década, uma lista crescente de investigações em todos os níveis de governo sugere que propinas são parte da cultura política.

> > The Wall Street Journal Trickle-Down Corruption in Brazil

A Odebrecht e a Braskem se esforçaram muito para ganhar "favores" da classe política, porque é onde está o dinheiro e o Estado muitas vezes tem poder sem exercer controle. Isso ocorre devido a uma percepção generalizada, promovida nas escolas estaduais, que, enquanto os homens de negócios gananciosos buscam lucros, os políticos moralmente justos "servem" o interesse público, descreve o editorial do WSJ. 

Ninguém foi melhor em perpetuar esse mito do que o ex-presidente brasileiro Lula da Silva. Os trabalhadores que o viram como seu campeão agora pagam a conta pelo enxerto desenfreado, aponta a autora.

Outra vítima é o Estado de Direito. Se os políticos são ladrões, por que eu deveria pagar meus impostos ou cumprir os regulamentos? Chame isso de corrupção em efeito cascata. Esta podridão governamental começou no topo com a estatal Petrobras e com o opaco banco nacional de desenvolvimento conhecido como BNDES, afirma Mary.

Em 2014, promotores brasileiros começaram a investigar um esquema de lavagem de dinheiro em Brasília. A corrupção da Petrobras, descoberta pela "Operação Lava Jato", foi como puxar o fio solto de um cobertor king-size. Desvendou a narrativa de Lula de que a Petrobras é um tesouro nacional cuidadosamente guardado, operado em benefício dos brasileiros. Também levou os pesquisadores à rede de corrupção gerida pela Odebrecht e pela Braskem, duas empresas que se beneficiam do financiamento do projeto BNDES, avalia O´Grady.

Durante a presidência de Fernando Henrique Cardoso, em 1995-2003, os tecnocratas economicamente liberais fizeram um esforço para afastar os políticos da Petrobras, oferecendo ações minoritárias ao capital privado e profissionalizando sua diretoria e administração. Lula, que sucedeu Cardoso, enquadrou isso como a entrega do patrimônio do povo aos capitalistas maus, lembra Mary. Para recuar, ele e seu Partido dos Trabalhadores incluíram no nível executivo da empresa nomeados políticos e ganharam influência no conselho.

Um dos principais contratados da Petrobras foi a Odebrecht. Tanto a Odebrecht como os acordos de culpa da Braskem, ao mesmo tempo em que não nomeiam nomes, descrevem os indivíduos para executar os esquemas de suborno. Em ambos os casos há pelo menos um "executivo da Petrobras" e mais de um funcionário eleito. O apelo da Braskem cita dois membros "de alto nível" do Poder Executivo e dois ministros do governo. A Petrobras diz estar cooperando com investigadores brasileiros, informa Anastasia para WSJ.

O acordo da Odebrecht descreve uma rede de empresas virtuais e uma unidade especial da Odebrecht chamada Divisão de Operações Especiais. Um comunicado de imprensa do Departamento de Justiça dos EUA em dezembro chamou isso de "Departamento de Suborno", lembra o noticiário.

O acordo diz que entre 2001 e 2016 a Odebrecht, com co-conspiradores, pagou US $ 788 milhões em subornos em Angola, Argentina, Colômbia, Equador, Guatemala, México, Moçambique, Panamá, Peru e Venezuela.

Cuba, o estado mais corrupto da região e beneficiário do financiamento do BNDES para a renovação do Porto de Mariel, em Cuba, não é nomeado em nenhum dos dois acordos, observa Mary. A Odebrecht conseguiu o contrato para esse projeto, mas o apoio brasileiro à ditadura militar de Castro é um segredo de Estado.

O BNDES deveria subsidiar empréstimos para acelerar o desenvolvimento brasileiro, destaca Mary Anastasia O´Grady. Mas era uma fonte chave do financiamento estrangeiro para a companhia. De acordo com registros do BNDES, de 1998 a 2006 forneceu US $ 166 milhões para financiar projetos da Odebrecht fora do país. Mas em 2007 esse número saltou para $ 786 milhões e em 2014 era $ 1 bilhão.