Jornalista da 'Piauí' descreve a nova tempestade do PMDB

Em artigo publicado no site da revista piauí desta sexta-feira (24), intitulado "A Tempestade perfeita do PMDB", a jornalista Malu Gaspar afirma que o 23 de fevereiro de 2017 entrará para a História do Brasil como um dos piores dias para os inquilinos do Palácio do Planalto e para a política do país.

Em um só dia, lembra a jornalista, o governo nomeou um aliado do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para o Ministério da Justiça, ainda pela manhã o partido de Temer foi mais uma vez alvejado, agora na 38ª fase da Lava Jato, com a Polícia Federal atrás de Jorge Luz, apontado como "o pai de todos os lobistas" e quem teria mediado as propinas para o partido. Antes mesmo do fim do dia, mais uma bomba: veio à tona o depoimento do ex-assessor especial de Temer, seu amigo José Yunes, cujo relato detalha entrega de dinheiro em espécie por Lúcio Funaro por ordem do ministro-chefe da Casa Civil Eliseu Padilha. Coincidentemente, Padilha pediu licença médica nesta sexta-feira (24). O bolo da cereja, acrescenta a jornalista, foram as "repetidas notícias de conversas subterrâneas entre atores políticos que buscam sem sucesso uma forma de soltar Cunha".

"Nos bastidores, seus interlocutores mais próximos querem fazer crer que é tudo desespero do ex-presidente da Câmara e aliado de Temer, que busca ser solto (...) O depoimento de Yunes vem autorizar que se pense que não é bem assim. A história que o primeiro-amigo conta foi relatada também por um dos executivos da Odebrecht que terão as delações anexadas ao inquérito do TSE sobre caixa dois nas contas de campanha da chapa Dilma/Temer. Antes, Yunes negava tudo. Agora, mudou radicalmente de postura", registra Malu Gaspar.

A jornalista argumenta que Yunes implicou Eliseu Padilha e Lucio Funaro, "personagem de pavio-curto que está sob incrível pressão", em seu depoimento ao Ministério Público. Com a prisão do lobista Jorge Luz, amigo de muitos anos de Eduardo Cunha, "a competição pela sobrevivência aumenta, assim como a quantidade de cabeças peemedebistas passíveis de degola". Funaro, também muito próximo de Cunha, pode esperar o deputado cassado sair da prisão e guardar consigo os segredos e os nomes do PMDB ou resolver falar, caso o peemedebista resolva fazer acordo de delação premiada.

O fatídico dia, que possivelmente continuará repercutindo pelos próximos dias, teve, por fim, a declaração de Yunes de que relatou o caso de Padilha a Temer e o presidente da República não fez nada. “O meu amigo reagiu com aquela serenidade de sempre”, disse o ex-assessor de Temer, entre risos. 

"Temer talvez pudesse se dar ao luxo de fingir que nada ouvira. Agora, ou chama Yunes de mentiroso, ou demite Padilha. Ao pedir licença, agora de manhã, Padilha aliviou um pouco a carga de Temer. Supõe-se que ele não mais voltará. Ainda assim, qualquer movimento daqui em diante é arriscadíssimo para o presidente, cercado de profissionais capazes de tudo para garantir a própria sobrevivência política.  O mais perigoso, porém, é continuar  agindo 'com a serenidade de sempre', enquanto os fios soltos do submundo peemedebista se juntam no escuro do submundo. O curto-circuito pode ser fatal", afirma Malu Gaspar.