Temer escolhe deputado Osmar Serraglio para o Ministério da Justiça

O presidente Michel Temer escolheu o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) para comandar o Ministério da Justiça, no lugar de Alexandre de Moraes, nomeado para o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (22). No início da noite desta quinta-feira (23), o porta-voz do Palácio do Planalto, Alexandre Parola, fez o anúncio oficial da nomeação. Segundo ele, Temer expressou "plena confiança" na capacidade de Serraglio para conduzir os trabalhos da pasta.

"Jurista e congressista com larga trajetória parlamentar na Câmara dos Deputados, o deputado traz sua ampla experiência profissional e política para o trabalho de levar adiante a agenda de atribuições sob sua responsabilidade", afirmou Parola.

A bancada do partido vinha pressionando o Executivo pelo nome de Serraglio, com o argumento de que ele tem o melhor perfil para o cargo. Os peemedebistas também teriam entendido que era preciso fechar questão com agilidade, para que a importante pasta fosse ocupada por alguém do partido. A bancada do PMDB na Câmara vinha pleiteando mais espaço para o partido no governo.

O vice-líder do governo na Câmara, deputado Darcisio Perondi (PMDB-RS), confirmou a escolha de Serraglio e disse que o nome agradou a maior parte da bancada do PMDB.

De acordo com Perondi, o anúncio oficial do nome de Osmar Serraglio deve ocorrer no início da noite de hoje pelo Palácio do Planalto. Ontem (22), o futuro ministro esteve reunido com o presidente Michel Temer.

Em seu quinto mandato como deputado federal, Serraglio é ligado à bancada ruralista, exercendo a coordenação da frente parlamentar da agricultura. O deputado também foi 1º secretário da Mesa da Câmara de 1º de fevereiro de 2007 a 1º de fevereiro de 2009, presidindo ainda a Comissão de Constituição e Justiça em 2016.

“O presidente Michel Temer foi muito feliz na escolha de Serraglio. Agradou muito os deputados do PMDB. Serraglio é um jurista, está preparado para o cargo e é muito estudioso. Foi relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) dos Correios e do Mensalão”, disse Perondi.

Proximidade com Eduardo Cunha

Reportagem do jornal Deutsche Welle desta quinta-feira (23) destaca que, como deputado, Serraglio ficou conhecido nacionalmente nos anos 2000 ao assumir a relatoria da CPI dos Correios, que também apurou as denúncias do escândalo do Mensalão no governo Lula. No início da CPI, a indicação de seu nome contou com o apoio dos petistas, mas ao final dos trabalhos a relação com os aliados ficou estremecida.

Ainda segundo a reportagem, nos anos seguintes, Serraglio seria identificado como um aliado do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB). No final de abril de 2016, após a passagem do impeachment na Câmara, o deputado chegou a declarar ser favorável a uma espécie de anistia para seu colega de partido, que à época era alvo de um processo de cassação no Conselho de Ética da Casa.

"Eduardo Cunha exerceu um papel fundamental para aprovarmos o impeachment da presidente. Merece ser anistiado", disse ele em abril de 2016 ao site Congresso em Foco. À época, o deputado disse que sua frase havia sido retirada de contexto.

O DW prossegue: "Em março do mesmo ano, Serraglio foi um dos defensores do desembarque do PMDB do governo Dilma Rousseff, o fato político que erodiu o que restava da base de apoio da ex-presidente no Congresso. Semanas depois, o deputado também votou a favor do afastamento da petista."

Ainda segundo a reportagem, pouco depois, Serraglio assumiu a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara com apoio de Cunha. A escolha levantou dúvidas se a sua atuação seria no sentido de ajudar o aliado, já que a comissão exerce bastante influência no Conselho de Ética. Serraglio também chegou a declarar à imprensa que o processo contra Cunha "não ia dar em nada".

No entanto, dias depois da posse Serraglio na CCJ, Cunha acabou sendo afastado da presidência da Câmara por ordem do STF. O Deutsche Welle destaca que, após o afastamento de Cunha e a perda de influência do deputado, a postura de Serraglio mudou, e a CCJ negou diversos recursos de Cunha. O processo no Conselho de Ética acabaria resultando na cassação do deputado fluminense.