'Clarín': "Imprensa às vezes inventa o que bem entender", disse Moraes em sabatina

Reportagem diz que nomeação é negativa e coloca em risco operação Lava Jato

Matéria publicada nesta quarta-feira (22) pelo Clarín analisa que a nomeação de Alexandre de Moraes para o Ministério da Justiça é sem dúvida uma decisão negativa para a Lava Jato.

A reportagem diz que o processo anti-corrupção que coloca em xeque o mundo político e legislativo foi entregue ao Senado brasileiro. Lá, a Comissão de Constituição e Justiça, presidida por um senador envolvido em suborno, deu livre  acesso para a consagração de Alexandre de Moraes, até agora ministro da Justiça de Temer, como o 11º membro do Supremo Tribunal. Poucos duvidam das implicações deste compromisso, uma vez aprovado pelo plenário de senadores.

O juiz vai avaliar precisamente os processos judiciais de subornos a políticos, ministros, deputados e senadores, cometidos pela Odebrecht, destaca o Clarín. Composta por 54 senadores, a comissão tem 10 membros investigados por corrupção, entre eles, Edison Lobão, que presidiu a interpelação de Moraes. 

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O diário argentino ressalta que este advogado paulista escolhido por Temer para integrar a mais alta instância judicial brasileira era suspeito de defender pessoas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), o grupo narco líder no Brasil que se originou em San Pablo. Depois de responder enfaticamente que "nunca" foi advogado do PCC, ele disse que era o escritório de advocacia, da qual ele era um parceiro, que defendia uma empresa que teria relações com essa organização criminal. Mas ele esclareceu dizendo: "Não tenho nada contra os que praticam a lei dentro dos padrões éticos e legais em relação a qualquer cliente, incluindo o PCC"

Várias perguntas, disparou o juiz aspirante do Tribunal, girava em torno de sua adequação para julgar casos de Lava Jato. Eles perguntaram se eu poderia me envolver com colegas processos de gabinete no governo Temer, que já não pertencem em breve. Entre outras coisas, porque o presidente Michel Temer que se foi proposto para essa posição. Ele jurou que vai manter "justiça". A parlamentar perguntou sobre o "desmantelamento" da Operação Lava Jato, já visível nas renúncias dos policiais federais que estavam levando esquema de investigações ao longo de três anos. Moraes negou que significa resolver os processos contra subornados.

Entre as muitas suspeitas levantadas pelos legisladores, um suposto plágio cometido por Moraes em um de seus livros se destacam. Afirmou-se que várias das páginas foram extraídas de obras do jurista espanhol Francisco Rubio Llorente. Nesta matéria, revelado pelo jornal Folha de São Paulo, Moraes disse que a história era "uma invenção", que foi criada pelos meios de comunicação de má fé. Ele acusou a imprensa de "muitas vezes inventar o que bem entender".

Da mesma forma, ele negou enfaticamente que recebeu US$ 1 milhão de uma empresa sob investigação pela Polícia Federal, finaliza Clarín.