RN: Tropa de Choque da PM entra no presídio de Alcaçuz

Na tarde desta quarta-feira, tropas do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque) entraram no presídio de Alcaçuz, na Região Metropolitana de Natal. O objetivo é dar início à triagem de cerca de 200 presos ligados à facção 'Sindicato do RN', que serão transferidos para o Presídio Estadual de Parnamirim (PEP). Um helicóptero da Polícia Militar sobrevoa a unidade dando apoio à ação. 

Na terça-feira, os presos haviam voltado a ocupar os telhados das unidades do complexo. Segundo a Secretaria Estadual da Justiça e da Cidadania (Sejuc), o clima no local era tenso, mas as forças policiais estavam retomando o controle do estabelecimento pouco a pouco. 

Desde o último fim de semana, os presos já ocuparam os telhados da unidade pelo menos três vezes. A primeira, no fim de semana, quando a rebelião que deixou 26 mortos começou e grupos rivais passaram a se hostilizar, cada qual sob o telhado de um pavilhão. A segunda ocupação ocorreu na manhã de segunda-feira (16), depois que as forças policiais deixaram o interior da unidade. O Batalhão de Operações Especiais da PM (Bope) foi acionado e voltou à área no início da tarde de segunda-feira. Pouco depois, os presos desceram do telhado.

De acordo com a Sejuc, após uma noite sem registro de novas ocorrências, um grupo de presos voltou a subir ao telhado pela terceira vez. Mesmo com a presença de tropas policiais especiais no interior da penitenciária, a volta da situação à normalidade era demorada, pois o processo de retomada das dependências segue protocolos de segurança rígidos e os policiais avançam pouco a pouco.

"Governo tem o controle"

O governador do estado, Robinson Faria, negou na terça-feira (17) que a situação estivesse fora de controle no presídio. "O governo tem o controle. Tanto tem que conseguimos tirar os líderes do PCC", disse, ao citar que não houve mortes de policiais, agentes penitenciários ou reféns. "A briga ficou restrita entre o PCC e o Sindicato do Crime do Rio Grande do Norte", completou.

Ainda segundo Faria, o papel dos homens da Força Nacional deslocados para a penitenciária é garantir a segurança da população e evitar fugas de presos, sem adentrar as instalações de Alcaçuz. Para ele, a entrada de forças de segurança no local neste momento poderia gerar mais mortes e "um novo Carandiru". "Temos que evitar que isso aconteça", concluiu.

Retaliação e vingança

Durante coletiva de imprensa, o governador avaliou que o ocorrido na Penitenciaria de Alcaçuz foi uma "retaliação" ou "vingança" à rebelião registrada no início do mês em um presídio no Amazonas. Ele disse que o país não pode ser "emparedado" por facções.

Faria também confirmou que há indícios de algum tipo de favorecimento que tenha permitido a rebelião na penitenciária de Natal. Ao final da entrevista, ele afirmou que agentes penitenciários e policiais que colaboram com a fuga de presos são "piores que bandido".

Com Agência Brasil

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