Cunha mandou mensagem cifrada para Temer, diz revista

Preso pela Lava Jato, deputado cassado questionou se houve repasse de dinheiro por parte de Yunes

A delação do ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, revelou que parte do valor de R$ 10 milhões repassado pela empreiteira ao PMDB teria chegado às mãos do advogado José Yunes em seu escritório em São Paulo. Yunes é amigo há cinco décadas e assessor especial do presidente Michel Temer.

Segundo a revista Veja, a informação dá sustentação à possibilidade de que o dinheiro recebido pelo advogado poderia ter sido repassado para Temer. A suspeita se origina nas questões elaboradas pelos advogados do ex-presidente da Câmara dos Deputados e preso pela Lava Jato, Eduardo Cunha (PMDB).

Quando Cunha listou Temer como uma de suas testemunhas de defesa, foram apresentadas 41 perguntas que deveriam ser respondidas pelo presidente. Segundo a revista, em uma das questões enviadas ao juiz Sergio Moro, os advogados de Cunha pediram que fosse perguntado a Temer se Yunes alguma vez providenciara contribuição para o PMDB ou para o próprio presidente.

A pergunta foi vetada por Moro juntamente com outras 20 questões, alegando que qualquer denúncia envolvendo Temer deveria ser investigada pelo STF, e não em Curitiba, já que ele tem foro privilegiado.