'The Wall Street Journal': Brasília protesta contra votação do governo

Reportagem fala sobre atos de vandalismo com carros virados e fogo

Matéria publicada nesta quarta-feira (30) pelo The Wall Street Journal conta que mais de dez mil manifestantes protagonizaram um dos protestos mais graves da história na noite desta terça-feira(29) contra o presidente brasileiro, Michel Temer, e suas propostas de austeridade.

Segundo a reportagem o ato contou com carros revirados e tentativa de invasão ao Senado do país, enquanto a polícia disparava gases lacrimogêneos e balas de borracha. A maioria dos manifestantes eram esquerdistas que apoiaram a ex-presidente Dilma Rousseff, deposta em agosto deste ano por manipulação do orçamento.

Ela foi substituída pelo seu vice Michel Temer, que se comprometeu em recuperar a economia através do controle das despesas públicas e outras reformas, fala o Journal.

> > The wall Street Journal Thousands Protest Brazilian President Ahead of Vote on Public-Spending Cap

A manifestação aconteceu quando os senadores se preparavam para votar - e aprovar, de acordo com a maioria dos especialistas - uma emenda constitucional para alinhar o crescimento da despesa pública a inflação do período anterior.

"Este é um projeto de lei que vai tirar fundos de educação e saúde, preservando o capital especulativo", disse Wallace Ferreira, um professor de 36 anos que usava máscara cirúrgica que ele disse foi dada aos manifestantes por uma equipe de ambulância, "Eles pulverizaram gás lacrimogêneo sobre os professores", disse ele.

A polícia conseguiu forçar os manifestantes a se afastarem do prédio do congresso, mas os gases lacrimogêneos ainda podiam ser sentidos e os manifestantes permaneceram diante do Palácio do Planalto enquanto helicópteros da polícia sobrevoavam a área.

Os manifestantes deixaram um rastro de destruição. As janelas foram quebradas. O lixo foi jogado na calçada e incendiado. "Vamos incendiar Brasília", gritou um dos presentes.

"No começo estava calmo, mas os manifestantes começaram a disparar foguetes contra as tropas", disse Leonardo Costa, 33,dizendo que a polícia respondeu com gás lacrimogêneo. "Ficou difícil de respirar", disse ele.

Um representante do Partido dos Trabalhadores disse que a polícia usou força excessiva.