'El País': O escárnio político do Brasil

Editorial afirma que Governo e Congresso dificultam luta contra a corrupção

Artigo de opinião publicado nesta quarta-feira (30) pelo periódico espanhol El País analisa que assim que os sinos do Senado anunciaram a suspensão de Dilma Rousseff do cargo de Presidente, em 14 de Maio, Michel Temer se comprometeu a melhorar a governança;quanto a isso entende-se, o diálogo entre o Governo e o Congresso, a fim de superar a crise política que paralisa o país desde 2015. Durante o primeiro mandato de Dilma, a guerra era liderada pelo então poderoso deputado, e agora preso Eduardo Cunha. Durante os 17 meses do segundo mandato Rousseff  a guerra foi tomando outras proporções e a vitória foi dada ao eixo parlamentar liderado pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).

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O diário recorda que em 1985, José Sarney tornou-se presidente, como vice de Tancredo Neves que morreu depois de ser sido eleito indiretamente por um Congresso controlado pelos militares. Em 1992, o Congresso tomou a faixa presidencial de Fernando Collor e entregou a Itamar Franco, que se juntou ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro, PMDB, e interrompeu sua filiação entre 1986 e 1992. Como terceiro peemedebista que toma a presidência por atalhos do parlamento, Temer está longe de ser cumprir com o que prometeu, começando pela recuperação da economia do país, que passa por uma terrível recessão. 

A iniciativa para congelar os gastos públicos por duas décadas anda em um bom ritmo, através de uma proposta de emenda constitucional aprovada em ambas as casas do Congresso. No entanto, essa austeridade contrasta com as atualizações salariais exorbitantes para juízes, procuradores e outro grupo seleto de altos funcionários; o aumento do número de funcionários escolhidos a dedo, sem concurso público; manutenção de subsídios e isenções fiscais para grandes empresas; entre outras inconsistências fiscais que fazem sangrar ainda mais as contas ainda não pagas de Dilma Rousseff, observa o autor do editorial para El País.

O jornalista escreve para El País que embora a ambiguidade da política fiscal não vá de encontro a alguns setores, é na conspiração contra o combate à corrupção do governo Temer que se acumula um enorme e perigoso  déficit moral. Todos os membros da aliada, além do PT, tem dezenas de membros na "lista Odebrecht", feita através da delação premiada de Marcelo Odebrecht e outros gestores de empresas de construção que financiaram campanhas com suborno e lavagem de dinheiro.

Outra lista que tende a crescer é a dos ministros que se demitiram por causa de manobras para impedir investigações de corrupção do caso Lava-Jato. 

Embora nenhum deputado tenha assumido a responsabilidade para a alteração das medidas anti-corrupção, a população brasileira não é tão ingênua a ponto de acreditar nas palavras ditas na coletiva de imprensa convocada por Temer e os presidentes do Senado e da Câmara no domingo (27). 

Estranhamente, nenhum deputado da base aliada havia condenado anteriormente as sessões de anistia da Câmara dos Deputados. Na verdade, nas primeiras horas de 21 de setembro, uma estranha aliança entre partidos do governo e deputados do PT tentou passar a mesma anistia. O movimento falhou ao ser denunciado pelos partidos Psol e Rede. 

A julgar pela coordenação demonstrado até agora, é uma questão de tempo para ver o Governo e o Congresso empurrando uma terceira tentativa de anistia, finaliza Daniel Cerqueira para El País.