'The Intercept': Mais escândalos de corrupção do governo que afastou Dilma 

Reportagem fala sobre medo dos políticos com delação de Marcelo Odebrecht

The Intercept, do premiado advogado e jornalista Glenn Greenwald publicou matéria nesta sexta-feira (25) sobre o novo escândalo de corrupção envolvendo o governo de Michel Temer, bem como da tentativa de anistiar o caixa 2.

A reportagem de Intercept diz que o argumento preliminar utilizado por aqueles que não queriam o impeachment da presidente Dilma Rousseff foi que a remoção dela imediatamente capacitaria os políticos verdadeiramente corruptos em Brasília - aqueles que foram a força motriz por trás de seu impeachment -, e que eles usariam esse poder para acabar com investigações de corrupção e proteger-se de consequências para a sua própria quebra de lei. Nesse sentido, o impeachment de Dilma não foi projetado para punir a corrupção, mas para protegê-la. As últimas duas semanas produziram novos escândalos de corrupção que vindicaram essa visão além do que até mesmo seus proponentes imaginavam ser possível.”

> > The Intercept In Brazil, Major New Corruption Scandals Engulf the Faction that Impeached Dilma

O jornalista lembra que em seu breve tempo na presidência, Temer já perdeu três ministros para escândalos, mas estas novas controvérsias são as mais graves ainda. Um grande escândalo envolve um esforço no Congresso - liderado pelos próprios partidos que acusaram Dilma, com o apoio de alguns no partido de Dilma - para aprovar uma lei de uma anistia legal completa por seus crimes de caixa 2.

Glenn fala que muitos dos políticos mais poderosos do Brasil - incluindo o seu Ministro das Relações Exteriores, a maioria dos membros da Câmara dos Deputados, e o próprio Presidente Michel Temer - estão implicados neste esquema, ameaçados com a possibilidade de ser processados. O caixa dois tem sido uma tática chave usada para subornar políticos. A questão é particularmente urgente, porque o bilionário preso Marcelo Odebrecht está prestes a finalizar seu acordo de delação premiada, identificando elementos-chave como receptores de milhões de dólares em doações não declaradas.

Enquanto isso, acrescenta Greenwald, já foi relatado que o ministro de Relações Exteriores de Temer, José Serra, recebeu R$ 23 milhões (US$ 7 milhões) em fundos ilegais da Odebrecht, muitos dos quais foram depositados em uma conta do banco suíço.”

O jornalista também aponta que o juiz que liderou a investigação sobre a corrupção, Sérgio Moro, alertou esta semana que este projeto de anistia poderia impedir seriamente sua investigação - que é, naturalmente, o objetivo central do projeto de lei. Ele advertiu de forma mais geral que as medidas de anistia retroativa que beneficiam os políticos que as promulgaram são exatamente o tipo de coisa que destruiu a fé nas instituições políticas brasileiras. Então aqui temos as mesmas pessoas que acusaram o presidente democraticamente eleito em nome de punir a corrupção e defender o Estado de Direito, usando seu poder mal conseguido para se protegerem da responsabilidade por seus próprios crimes políticos. Desde o início, esta foi a fraude no coração da impeachment de Dilma, e é difícil colocar em palavras quão claro e óbvio ele se tornou agora.”

Para finalizar seu teto, conclui que o verdadeiro propósito do impeachment agora está revelado de forma tão nua que até mesmo os principais jornais do país estão sendo forçados a reconhecer o que, até muito recentemente, eles zombaram viciosamente: que o verdadeiro propósito era proteger e capacitar o corrupto. Por mais vindicados que estejam agora, os opositores ao impeachment não podem sentir nenhum sentimento de celebração, já que estes últimos acontecimentos simplesmente mais uma vez significam que o povo brasileiro continuará a sofrer muito de uma classe política e de elite que lhes falhou através do engano mais flagrante e da prática de corrupções imagináveis.