Governo trata deputados como 'palhaços', diz Rodrigo Maia sobre repatriação

Mais tarde, presidente da Câmara se desculpou suas declarações estavam sendo exploradas

O presidente da Câmara de Deputados, Rodrigo Maia, aumentou o tom contra o governo do presidente Michel Temer, nesta quarta-feira (5), ao afirmar que o Palácio do Planalto está tratando os deputados como "palhaços" na discussão do projeto que altera a Lei de Repatriação.

"Quero dizer o seguinte: se essa arrecadação vier abaixo do que está se esperando, o governo não vai fechar a conta e vai ficar com a conta aberta. Estou dizendo explicitamente. O grande conflito era 'foto' ou 'filme'. Agora o governo quer de novo 'filme', então não trate a gente como palhaço", afirmou Maia visivelmente irritado.

Maia usou as expressões "foto" e "filme" numa alusão à forma como haverá a multa e tributação sobre o valor a ser repatriado. Se é sobre a "foto" dos bens e recursos que a pessoa tinha em 31 de dezembro de 2014, como querem os deputados, ou se é sobre todos os valores e bens movimentados pelo contribuinte fora do país, como quer a Receita Federal e como hoje indica a Lei da Repatriação.

Horas depois, enquanto presidia a sessão desta quarta-feira (5), o presidente da Câmara se desculpou no Plenário pela declaração. Segundo ele, a afirmação "fora do tom" não foi adequada, já que teria recebido uma informação diferente a respeito do posicionamento do governo.

“Quero aproveitar a oportunidade para me desculpar pelas minhas palavras de hoje mais cedo. Elas não foram adequadas. Eu recebi uma informação que não foi a correta e reagi da forma que eu reagiria se ela tivesse sido a correta. O erro foi meu e eu peço, de público, desculpas pela minha palavra fora do tom por um motivo que não existiu. Se tivesse existido, sem dúvida nenhuma eu a usaria”.

Na tentativa de consertar os atritos com o presidente Michel Temer, Maia divulgou ainda, por meio de sua assessoria de imprensa, uma nota afirmando que suas declarações estavam sendo exploradas de "forma equivocada".

“Estão explorando de forma equivocada as minhas declarações dadas à imprensa. Recebi uma informação que não estava correta e reagi de forma inadequada. Já me manifestei publicamente no plenário da Câmara, pedindo desculpas pelo tom usado na minha fala, por um mal-entendido. Reitero que este é o momento de manter a Casa unida com o único objetivo de votarmos as propostas que são essenciais para o País”, afirmou o deputado do DEM.

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O governo afirma que já arrecadou R$ 8 bilhões com o programa. A expectativa é que o valor aumente consideravelmente após as mudanças, o que seria fundamental para o presidente Michel Temer tentar fechar as contas de 2016 dentro da meta fixada.

Apesar de o governo ter indicado que concordava com a mudança, o líder do governo na Câmara, André Moura, afirmou, após encontro no Ministério da Fazenda, que não havia ainda acordo para a aprovação na forma "foto". "Você não pode pegar e fazer pelo menor valor, isso não é justo. Então tem que fazer pelo 'filme'", afirmou Moura.