Nesta segunda-feira (26) foi publicada entrevista com o Cardeal Claudio Hummes, presidente da Comissão Episcopal da Amazônia no site da Rádio Vaticano.
O noticiário conta que o Brasil está passando por uma alta tensão social, após as novas acusações de corrupção e lavagem de dinheiro contra o ex-presidente Lula da Silva, o escândalo da Petrobras e denúncias contra o novo presidente Michel Temer, sucessor de Dilma Rousseff. Enquanto isso, no dia 2 de outubro, o país se prepara para as eleições municipais com previsão de votos de mais de 144 milhões de cidadãos.
> > Radio Vaticano Brasile. Card. Hummes: nuovo governo sia attento ai poveri
Christian Murray perguntou ao cardeal brasileiro:
O senhor entende para onde o país está caminhando?
R. - Ainda é difícil, porque estamos no início. A mudança de governo foi feita recentemente. O novo governo está começando a tomar decisões. É tudo novo; não se sabe como a força política vai implementar as reformas pretendidas pelo novo governo e como estas reformas irão afetar as pessoas. O processo de mudança tem sido ambíguo, muito discutido, mas agora há um outro governo. Eu já disse muitas vezes que as ideologias não são muito importantes porque os governos são pragmáticos. Não importa muito o que a ideologia e sim a decisão, os projetos e as reformas necessárias. A Igreja acompanha todo este processo e, em primeiro lugar, e acho que devemos trabalhar para reconstruir a reconciliação, porque estamos passando por um momento de muita agressividade entre as duas partes. Hoje estamos muito preocupados com essa atitude agressiva entre as oposições políticas. Temos de reconstruir a reconciliação e se envolver na vida social, política e, sobretudo, na questão da democracia, da justiça social, trabalho, porque o desemprego tem crescido muito. A inflação se tornou uma ameaça de novo; há um grande trabalho a fazer também no que diz respeito à justiça social e direitos humanos, especialmente, os direitos dos trabalhadores, que precisam de um salário decente para sustentar suas famílias. Então, é tudo questão de reconstruir um Brasil que está afundando. O país precisa de uma redenção.
P. - É um país que tem crescido muito nos últimos anos e a pobreza foi reduzida. Essas pessoas pobres adquiriram mais direitos, e um certo padrão de vida que não é mais de pobreza extrema. É importante que estes direitos não sejam perdidos ...
R. - É claro que sim. A esperança é que tenham a oportunidade de continuar sendo assistidos por todas estas reformas e programas sociais que tinham sido feitos por governos anteriores. No entanto, para fazer isso, é necessário que exista oportunidade. Não é uma questão de produtividade, porque o Brasil neste momento passa por enormes dificuldades financeiras, mesmo nos pagamentos de juros da dívida interna, porque o outro lado da moeda da crise, a corrupção, é incrível. O povo, o povo brasileiro está realmente com medo pela soma astronômica de dinheiro que foi desviado para a corrupção. Todo este grande processo contra a corrupção é muito importante para o Brasil para reconstruir os fundamentos de uma economia que é capaz de satisfazer as grandes necessidades e restabelecer o país. O Brasil é maravilhoso, mas a situação atual é muito, muito complicada.