'Clarín': Brasil e Argentina estão estagnados com ‘heranças’ econômicas e políticas

O Brasil, apesar de tudo, tinha âmbito para investimentos, e a Argentina tinha calote

Matéria publicada nesta quarta-feira (7) pelo jornal argentino Clarín analisa a situação política e econômica do Brasil e Argentina. Como acontece em toda sociedade, sempre há acordos e disputas entre os parceiros. Por parceria e por disputa, é ilustrativo olhar para a Argentina olhando o Brasil. Os dois países vivem alguns anos de estagnação econômica. Os números ajudam para fazer algumas comparações, mas não todas.

O artigo diz que o diagnóstico geral é que são recessões graves, mas de graus diferentes. Recessão é quando o vizinho perde o trabalho e depressão é quando é a gente que perde o trabalho, disse um ex-presidente dos EUA. Mas realmente, as coisas não estão bem nem lá nem cá. A recuperação do parceiro convém a ambos os países, porque influi na própria. Na política existem circunstâncias que parecem diferentes, mas que não são profundamente distintas, muito menos na prática.

O Clarín conta que Dilma foi cassada pelo Congresso em um processo constitucional, mas que cheira mal politicamente. O governo de sua coalizão deixou uma herança muito pesada. Para reorganizar o orçamento, o atual presidente deverá tomar medidas impopulares e isto vai dificultar ainda mais seu governo, que já sofre com protestos e escândalos.

Na Argentina, descreve o Clarín, Cristina Kirchner colocou Daniel Scioli, em quem não confiava, como candidato a presidente e cercou-o de comissários políticos. O que Scioli teria feito se ganhasse? Vamos fazer uma suposição. Scioli teria tido que fazer o que Dilma fez e uma parte do que Macri fez. Atualmente, nem Cristina, nem Dilma (e talvez Lula) estão em condições de se entusiasmar em voltar. Está aberto o capítulo obsceno da corrupção que, em meio à crise econômica, intensifica seu poder corrosivo. Nenhum dos dois países explodiu com a força da histórica crise vivida pela Argentina em 2001: a política encontrou uma saída.

O jornal argentino opina que a diferença entre as heranças recebidas é que Dilma, independentemente de detalhes de número, faz parte de um país com um nível de aceitação mundial singular, enquanto que Macri encontrou uma situação de barreira cambial e calote.

Clarín ressalta que Isso não exime Macri de seus erros. Dilma acusava Aécio de que ele iria fazer um ajuste, mas quem acabou fazendo foi ela mesma. E agora Michel Temer o aprofundará. O paradoxo é que Cristina se candidataria à eleição legislativa de 2017 em uma chapa com Scioli. E ele, em seu afã por salvar-se, está de acordo em mostrar todos os sintomas da “Síndrome de Estocolmo”. Lula, enquanto isso, se prepara para 2018, se conseguir se salvar.