Dilma faz análise de seu governo e diz que foi inviabilizada pela Câmara

Em sua defesa perante os senadores, a presidente afastada Dilma Rousseff disse que, a partir da eleição do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para presidir a Câmara dos Deputados, seu governo foi inviabilizado na Casa. 

“No caso específico da Câmara, a Câmara não funcionou. Os projetos que nós enviamos para buscar uma solução para a situação em que nos encontrávamos, ou não eram aprovados ou eram aprovados pela metade. Ao invés de ter medidas para sanar a questão fiscal, uma vez que caía de forma vertiginosa a receita, se aumentava as despesas.”

A senadora Lídice da Mata (PSB-BA) perguntou sobre qual foi a participação de Cunha no processo, e Dilma disse que sua contribuição foi “a mais danosa possível”. Ela disse que, desde 2014, a atuação do deputado havia sido danosa na aprovação da Lei dos Portos, em que ele participou como líder do PMDB. “Quando Eduardo Cunha é eleito presidente da Câmara em fevereiro acelerou-se o processo de desestabilização parlamentar do meu governo.”

Dilma disse que propôs à Câmara redução da desoneração de vários setores e um corte fiscal de R$ 130 bilhões, sobretudo feito sobre despesas. Em 2015, Dilma avaliou que essa situação promoveu um grande rombo na capacidade do governo de superação da crise. Mas ela frisou que em 2016 a situação foi ainda pior, porque do início do ano até a votação do impeachment a Câmara e suas comissões pouco funcionaram. “Se isso não é um dos maiores boicotes que já existiu na história do Brasil, não sei o que é.”  

Campanha 

Ao ser questionada pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG), que fez uma revisão da campanha eleitoral e disse que Dilma mentiu durante seus debates, a presidente fez também uma análise da situação econômica e política após sua eleição. “A senhora fala muito nos votos que recebeu, mas uma eleição não é um cheque em branco, o eleito tem responsabilidades e deve seguir as regras”, alegou Aécio.

Dilma lembrou que, três dias após sua eleição, os Estados Unidos mudaram sua política fiscal, e elevaram os juros, provocando a desvalorização generalizada das moedas, com efeito na inflação pela desvalorização do câmbio. Além da crise hídrica, que provocou aumento das tarifas.

A presidente afastada apontou que, além da conjuntura econômica, a partir do dia seguinte à eleição, uma série de medidas políticas foram tomadas para desestabilizar seu governo. Ela enumerou que, logo após a eleição, foi pedida recontagem de votos, depois uma auditoria das urnas, e antes mesmo de sua diplomação, houve um pedido para auditar contas de campanha. “Sistematicamente foi tornada objeto da disputa política que ocorre no Brasil após a minha posse, e a partir daí o senhor vem me acusando, mas eu não menti”, respondeu Dilma a Aécio.

Apesar de a eleição não estar em análise no processo de impeachment, Dilma foi questionada também pelo senador Magno Malta (PR-ES) sobre se mentiu ou não. Ela explicou que não era possível antecipar o tamanho da crise àquela altura, antes de uma das maiores desvalorizações do Real. “O que não era esperado era uma crise política do tamanho que tivemos, que afetou a capacidade de nosso País enfrentar essa crise”, disse.

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